Enfermeira Bárbara Andrade
Enfermeira Bárbara Andrade
05 Ago, 2019 - 16:21

Conheça as manifestações clínicas da Giardíase

Enfermeira Bárbara Andrade

A Giardíase é uma doença que tanto pode ser assintomática como pode causar um quadro de diarreia crónica, cólicas abdominais, entre outros sintomas.

Conheça as manifestações clínicas da Giardíase

A Giardíase é uma infeção parasitária intestinal com elevada prevalência em países em desenvolvimento, sendo causada por um protozoário denominado de Giardia duodenalis (G. lamblia, G. intestinalis).

Apesar de ser uma infeção com bom prognóstico, pode tornar-se uma situação preocupante em pessoas com fibrose quística, com desnutrição ou com o sistema imunitário deprimido.

Esta infeção pode atingir pessoas de todas as idades no entanto, em áreas endémicas a infeção é mais frequente em crianças até aos 12 anos de idade, principalmente se frequentarem ambientes como infantários, creches ou escolas primárias (2).

A Giardíase possui duas formas (1):

  1. Cística, que é eliminada pelas fezes, podendo sobreviver meses e é infeciosa para outros animais;
  2. Trofozoíta, que se desenvolve no intestino delgado a partir da ingestão dos cistos e causa os sintomas que serão referidos ao longo do artigo.

Giardíase: formas de transmissão

giardiase lavar as maos

Existem várias formas de transmissão, tais como:

  1. Transmissão pela água (ingestão de cistos em água contaminada);
  2. Por meio da ingestão de alimentos contaminados (confecionados com objetos contaminados ou mal conservados) com fezes que contêm cistos do protozoário Giárdia;
  3. De contato direto de pessoa para pessoa (situação muito frequente em creches ou pelos parceiros sexuais através do sexo oral ou anal), através do mecanismo mão-boca. Os cistos presentes nas fezes dos seres humanos são mais infectantes do que os provenientes dos animais (3).

O homem é um relevante reservatório da doença e é classificado como hospedeiro definitivo da Giardíse, sendo que o seu poder de infeção é maior no homem do que quando comparado com o dos animais.

É importante ter a noção de que os portadores assintomáticos são os principais responsáveis pela transmissão do agente, ao invés dos sintomáticos (que estão por exemplo com diarreia), ao contrário do que se poderia prever.

Giardíase: sintomatologia

giardiase mulher com colicas

A infecção é assintomática em muitos casos, no entanto, em algumas pessoas, 1 a 14 dias (período de incubação) após a infeção, podem começar a surgir sintomas que variam entre (2,3):

  • Flatulência (acumulação de gases no intestino) intermitente;
  • Dejeções líquidas (diarreia) aquosa fétida contínua ou com surtos de duração variável, geralmente ocorrem 2 a 4 vezes por dia;
  • Cólicas abdominais;
  • Distensão abdominal;
  • Edema;
  • Pirose ou eructação (arrotar), situação que melhora com a ingestão de alimentos e piora nos períodos de jejum;
  • Náuseas e/ou vómitos;
  • Desidratação;
  • Mal-estar generalizado;
  • Anorexia (perda de peso acentuada devido à má absorção das gorduras, vitaminas lipossoluvéis e açúcares);
  • Esteatorreia (fezes volumosas, cinzentas ou claras, que ficam a flutuar na água devido ao nível elevado de gordura presente);
  • Geralmente não há invasão extraintestinal, porém às vezes os trofozoítas migram pelas condutas biliares e pancreáticas e causam inflamações.
    A fase crónica da doença pode manifestar-se durante meses e quando não tratada, persiste por anos, variando os sintomas de leves a graves.

Giardíase: meios de diagnóstico

giardiase exame microscopico

Geralmente o diagnóstico é feito por exame microscópico (parasitológico) das fezes, de forma a conseguir identificar o agente nas fezes ou do conteúdo duodenal, ou por análise de antigénio de Giardia nas fezes. Pode ser necessária a aspiração ou a biópsia de uma porção do duodeno e do jejuno (3).

Os métodos serológicos mais empregados são o de imunofluorescência indireta e o de ELISA. É importante reter que, no caso de Gíardia positiva, não são encontrados sangue ou leucócitos nas fezes.

Giardíase: formas de tratamento

giardiase mulher a tomar compridos

É importante que as pessoas infetadas sejam diagnosticadas precocemente e que se submetam ao tratamento adequado, havendo constatação das principais fontes de infeção, como por exemplo, crianças sintomáticas, objetos contaminados, entre outros.

O tratamento é feito com metronidazol, tinidazol, ou nitazoxanida; ou, durante a gestação, com paromomicina, uma vez que o metronidazol e tinidizol não devem ser administrados a gestantes (3).

Crianças e mulheres grávidas podem ser mais susceptíveis a desidratação causada pela diarreia, portanto, deve-se administrar fluidoterapia (soro via endovenosa) se necessário.

Apesar de não ser obrigatório, é importante que após o diagnóstico e início do tratamento, ocorra uma notificação imediata do surto à Autoridade de Vigilância Epidemiológica (1).

Giardíase: formas de prevenção

giardiase lavar alimentos

São várias as formas de prevenção que pode ter em conta para impedir que seja infetado pela doença (2). E são elas:

  • Tratamento adequado das águas públicas, o tratamento deve ser feito pela filtração e cloroção prolongada devido à resistência do protozoário ao cloro;
  • Ingestão de água tratada ou fervida;
  • Rastreamento de alimentos contaminados;
  • Lavagem adequada dos alimentos e acessórios de confecção adequadamente, bem como uma conservação adequada;
  • Apresentar um boa higiene fecal-oral, principalmente após as idas ao WC;
  • Evitar atividade sexual oral-genital ou oral-anal;
  • Medidas de educação para a saúde;
  • Investigação das condições de saneamento;
  • Medidas de controlo de insectos (uma vez que as moscas domésticas podem dispersar os cistos de Giardia).

Veja também:

Fontes

1. Araujo, M. et al (2018) Giardíase: aspetos clínicos e epidemiológicos. Disponível em:
http://www.pensaracademico.facig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/view/741/646

2. Maltez, D. (2012) Manual das doenças transmitidas pelos alimentos. Disponível em:
http://saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-transmitidas-por-agua-e-alimentos/doc/parasitas/giardiase.pdf

3. Santana, L. et al (2014) Atualidades sobre giardíase. Disponível em:
http://files.bvs.br/upload/S/0047-2077/2014/v102n1/a4019.pdf

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