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Fibrilhação auricular: quando o coração bate fora do ritmo

A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais frequente, com um aumento da prevalência a partir dos 60 anos de idade.

 
Fibrilhação auricular: quando o coração bate fora do ritmo
Fica a conhecer melhor esta arritmia cardíaca

A fibrilhação auricular altera os batimentos cardíacos. Recorde-se que o coração é um músculo que bate em um ritmo ordenado, regido por uma corrente elétrica. Na fibrilhação auricular há uma perda da função mecânica da aurícula, o que faz com que a atividade elétrica das aurículas do coração se desorganizem. Em alguns doentes, o coração passa a bater muito depressa, noutros bate muito devagar.

Esta batida irregular leva à estagnação do sangue e à formação de coágulos nas aurículas, que podem desprender-se e embolizar as artérias cerebrais. Isto é, formar trombos que podem que obstruem a passagem do sangue nas artérias.

A fibrilação auricular é responsável por aumentar em 5 vezes o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC); em 3 vezes o risco de insuficiência cardíaca; em 2 vezes o risco de demência; e duplica o risco de morte (1).

Fibrilhação auricular: factores de risco


 fibrilhação auricular

Os factores de risco mais frequentes são (2):

A ingestão de álcool, café ou chás também pode desencadear a forma rápida desta arritmia (1).

Sinas da fibrilhação auricular


As principais manifestações da doença são (2):

  • Palpitações;
  • Resposta excessiva da frequência ventricular;
  • Falta de ar e intolerância ao esforço;
  • Aumento da mortalidade.

A grande maioria dos AVC associados à fibrilhação auricular são acidentes isquémicos, sendo raras as hemorragias cerebrais. A fibrilhação auricular pode causar enfartes cerebrais, acidentes isquémicos transitórios e enfartes isquémicos assintomáticos.

Consequências da fibrilhação auricular


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Internamentos

Todos os anos, 10 a 40% dos doentes com fibrilação auricular são internados, em consequência da doença.

Qualidade de vida

A qualidade de vida é reduzida nos doentes com fibrilação auricular, independentemente de outras condições cardiovasculares.

Disfunção ventricular esquerda e insuficiência cardíaca

A disfunção ventricular esquerda está presente em 20 a 30% de todos os doentes com fibrilhação auricular. A doença causa ou agrava a disfunção do ventrículo esquerdo em muitos doentes, enquanto outros têm a função do ventrículo esquerdo completamente preservada apesar de apresentarem a doença de longa data.

Declínio cognitivo e demência vascular

O declínio cognitivo e a demência vascular podem desenvolver-se mesmo nos doentes com fibrilação auricular e anticoagulados. As lesões cerebrais da substância branca são mais comuns nos doentes com fibrilhação auricular do que nos doentes sem esta patologia (2).

Diagnóstico


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O rastreio oportunista da fibrilhação auricular está indicado em todos os indivíduos com pelo menos 65 anos de idade, fazendo a palpação do pulso e, quando este é irregular, o eletrocardiograma.

Se o ritmo cardíaco for demasiado lento (inferior a 50/60 batimentos por minuto), é designado como bradicardia, se por outro lado o coração bater de forma muito rápida (mais de 100 batimentos por minuto), estamos perante uma taquicardia.

O diagnóstico da fibrilhação auricular é feito através de um eletrocardiograma, tornando evidente a referida alteração do ritmo cardíaco (1).

Fibrilhação auricular: tratamento


O tratamento da fibrilhação auricular abrange terapêuticas com impacto no prognóstico do doente (anticoagulação e tratamento da doença cardiovascular), e podem interferir na expectativa de vida do mesmo. Além destas, existem as terapêuticas predominantemente com benefício sintomático (controlo da frequência, controlo do ritmo).

Os objectivos da terapêutica são prevenir o AVC, controlar a frequência cardíaca, restaurar e manter o ritmo sinusal, isto é reverter a arritmia e melhorar os sintomas, prevenir a insuficiência cardíaca e prolongar a esperança de vida.

Alguns objetivos podem ser conseguidos através de medicamentos, com ou sem cardioversão elétrica associada, ou através do processo de ablação da fibrilhação auricular.

Atualmente, existem novos tratamentos que podem ser utilizados de forma mais eficaz e segura. Os novos fármacos anticoagulantes apresentam um risco hemorrágico menor, com redução muito significativa dos casos de hemorragia cerebral, que é a complicação mais temida destas terapêuticas.

Por último, a aparição de antídotos destes fármacos reduz o risco de complicações  hemorrágicas em situações de urgência.

A decisão para uma abordagem cirúrgica deve ser discutida com o médico cardiologista.

Veja também:

Fontes

1. Fundação Portuguesa de Cardiologia. Disponível em http://www.fpcardiologia.pt/fibrilhacao-auricular/
2. Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Disponível em https://spc.pt/wp-content/uploads/2019/10/Fibrilha%C3%A7%C3%A3o-Auricular.pdf

Danielle Paiva Danielle Paiva

Licenciada em Medicina e Farmácia & Bioquímica pelo Centro Universitário de Nilton Lins, Danielle também é Mestre em Engenharia Industrial e Qualidade pela Universidade do Minho. Atualmente é voluntária na Cruz Vermelha onde desenvolve diversas ações de saúde.

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