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Epilepsia Infantil: o que fazer e o que não fazer

A epilepsia é a disfunção do sistema nervoso mais comum e a epilepsia infantil representa uma das principais causas de doença crónica.

 
Epilepsia Infantil: o que fazer e o que não fazer
Crianças correm maior risco de fraturas e lesões

O diagnóstico de epilepsia obriga à recorrência de crises, este é um dos pontos, mas não só, centrais no diagnóstico. Sabia que existem outros quadros clínicos que partilham das mesmas manifestações da epilepsia infantil? Por tal ser verdade, isso mostra-nos a importância de um estudo clínico exaustivo.

Estudos recentes estimam que até 40% das crianças que são diagnosticadas com epilepsia infantil, efetivamente não a têm.

É mais comum em crianças, principalmente durante o primeiro ano de vida. Mas, muitas convulsões na infância são eventos normativos da idade que não irão continuar na idade adulta, não acarretando problemas no seu desenvolvimento. Outras convulsões mais persistentes são graves e geralmente estão associadas a atrasos no desenvolvimento ou incapacidade intelectual (1, 2).

Epilepsia infantil: causas


epilepsia infantil

As convulsões em crianças podem ter muitas causas, nomeadamente (2, 3):

  • Genéticas: aqui a epilepsia infantil é causada por um defeito genético;
  • Metabólicas/estruturais: ou seja, condições que aumentam a probabilidade de a epilepsia ocorrer como infeções, trauma, acidente vascular cerebral, febre, falta de oxigênio no cérebro, hidrocefalia (excesso de água nas cavidades do cérebro), desenvolvimento cerebral atípico;
  • “Causa desconhecida”: termo designado quando não conhecemos a causa subjacente.

Epilepsia infantil: sinais e sintomas


O facto de uma criança ter uma convulsão não significa de todo que esta tenha epilepsia. O reconhecimento de convulsões em crianças é difícil, não só porque elas não identificam como se sentem ou do que se lembram, mas também porque alguns dos sintomas, como os que se seguem, são comuns durante a infância.

Os pais e/ou cuidadores têm um papel central pelo que sugerimos que conheça os sintomas mais comuns (pode haver um ou mais) (2, 3):

  • Desmaios de curta duração, comportamento atordoado, falhas de memória ou nenhuma resposta;
  • Olhar fixo (5-10 segundos), sem resposta à estimulação;
  • Perda súbita da força muscular com queda;
  • Movimentos incomuns e repetidos, como acenar com a cabeça ou piscar os olhos rapidamente;
  • Súbita dor de estômago seguida de sonolência;
  • Sonolência (mais do que o normal) e irritabilidade ao acordar;
  • Medo ou raiva recorrentemente;
  • Morder a língua / bochecha;

Se lhe for difícil identificar enquanto cuidador e/ou professor, veja algumas estratégias para que depois possa falar ao médico.

Pais/cuidadores ou professores: o que fazer


epilepsia infantil

O mais importante a fazer quando uma criança tem uma convulsão é mantê-la segura e estar com ela até que o episódio passe.

Seguem algumas orientações de acordo com a Epilepsy Fundation (3):

  • Afaste os objetos que possam magoar a criança;
  • Coloque algo macio sob a cabeça da criança (exemplo: casaco);
  • Se a criança tiver alguma coisa em volta do pescoço desaperte;
  • Vire a criança para o lado;
  • Controle a duração da crise e observe outras características importantes para informar o médico;
  • Fique calmo e conforte a criança depois.

Pais/cuidadores ou professores: o que não fazer


  • Não tente segurar a criança;
  • Não tente parar qualquer movimento ou morder a língua;
  • Não coloque nada na boca da criança;
  • Não atirar água à criança, nem lhe dê palmadinhas;
  • Não dar água, medicação oral ou comida até a criança estar completamente acordada;
  • Após a crise a criança fica sonolenta e confusa. Não a perturbe, fique a vigiá-la até que recupere totalmente. Mantenha-a na posição lateral de segurança.

Epilepsia infantil: quando recorrer ao hospital


epilepsia infantil

A maioria das crises dura entre 1 a 3 minutos, não necessitando de recorrer ao Serviço de Urgência. Contudo, se alguma das características seguintes estiver presente deve recorrer (3):

  • Se for a primeira convulsão da criança;
  • A convulsão dura mais de cinco minutos;
  • A convulsão ocorreu na água;
  • A criança tem diabetes ou febre alta;
  • Se a criança se tiver magoado;
  • A criança está com problemas para respirar após a convulsão;
  • Se existirem crises contínuas sem recuperação da consciência.

Epilepsia infantil e qualidade de vida


O Joint Epilepsy Council aponta que até 40% das crianças que são diagnosticadas com epilepsia na realidade não apresentam. Dado o impacto na saúde e no estilo de vida de uma criança ou jovem que o diagnóstico de epilepsia infantil pode acarretar, é importante que se recorra a um profissional de saúde especializado (4).

Os estudos referem que a perceção que cada indivíduo tem da sua qualidade de vida pode influenciar a forma como lida com o diagnóstico de epilepsia (5).

O que é importante reter é que, uma das formas de controlar as crises é ter um estilo de vida saudável e estar atento à sua saúde física e mental no geral uma vez que outras condições podem aumentar a probabilidade de ter uma convulsão (3, 6).

Em suma…


Perante uma convulsão mantenha-se calmo. Vá controlando a duração da crise, cronometrando se possível. Na maioria dos casos o que precisa fazer é manter a criança segura e dar o apoio necessário até que a criança recupere.

Existem novos tratamentos disponíveis que podem parar uma convulsão prolongada. Alguns podem ser administrados às crianças pelos pais ou cuidadores ​​por via oral, por via retal ou por injeção (agulha). Se seu filho tiver convulsões contínuas leve-o de imediata ao médico que irá orientá-lo no melhor tratamento.

Veja também:

Fontes

1. West T., Sara L., Sayal K., Kendrick D., Prasad V. (2014). Injury Among Children and Young Adults With Epilepsy. American Academy of Pediatrics, 133 (5) 827-835. Doi: https://doi.org/10.1542/peds.2013-2554
2. Sociedade Portuguesa de Neuropediatria. Disponível em: https://neuropediatria.pt/index.php/pt/para-os-pais/o-que-e-a-epilepsia
3. Epilepsy Foundation (2012). Disponível em: https://www.epilepsy.com/
4. National Institute for Health and care excellence (2013). Epilepsy in children and young People. Acedido em 4 de novembro de 2019. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/qs27/chapter/Introduction-and-overview
5. Reilly C., et al., (2019). Experiences and needs of parents of young children with activity epilepsy. A population based-study. Elsevier, 90, 37-44. Doi: https://doi.org/10.1016/j.yebeh.2018.10.031
6. Souza E. (1999). Qualidade de vida na Epilepsia. Arquivo de Neuropsiquiatria. Deparatamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), 57(1), 34-39. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1999000100007

Psicóloga Carolina Pinheiro Psicóloga Carolina Pinheiro

Psicóloga Clínica, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos (CP n.º 22212). Licenciada em Psicologia e Saúde Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto Universitário Ciências da Saúde. Formada em Hipnose Clínica e Programação Neurolinguística com especialização avançada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica da Infância à Idade Adulta pelo Instituto CRIAP. Exerce atividade em contexto Universitário no Instituto Universitário Ciências da Saúde, em contexto Hospitalar, no Hospital da Luz e em clínica privada.

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