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Efeitos colaterais de uma dieta sem glúten: descubra o outro lado

Apesar de estar cada vez mais na moda, existem efeitos colaterais de uma dieta sem glúten que tem de conhecer. Informe-se antes de iniciar qualquer dieta.

Efeitos colaterais de uma dieta sem glúten: descubra o outro lado
Atualmente, as dietas sem glúten já não são seguidas apenas por celíacos

Longe vai o tempo em que apenas os doentes celíacos seguiam uma dieta isenta de glúten. Atualmente, a maioria das pessoas não celíacas, recorrem a esta dieta para emagrecer ou apenas por considerarem que é mais saudável. No entanto, é importante alertar para os efeitos colaterais de uma dieta sem glúten.

O que é o glúten?


efeitos colaterais de uma dieta sem gluten homem com massa de pao

O glúten é uma proteína existente na composição de alguns cereais, nomeadamente o centeio, trigo ou cevada, constituído por gliadina, a componente responsável pela maioria dos sintomas, e a glutenina (1).

É uma proteína de difícil e de demorada digestão, o que potencia a sua acumulação a nível intestinal. Esta acumulação pode provocar alteração da flora intestinal (o que pode comprometer a imunidade e reações dependentes da microbiota intestinal), flatulência e até retenção de líquidos (2,3).

Os alimentos que contêm glúten são todos os que derivam ou contêm na sua composição os cereais acima mencionados: pão, bolos, bolachas, cereais e barras de cereais, massas, cerveja, entre muitos outros (1).

O que é a doença celíaca?


A doença celíaca é uma doença autoimune potenciada pela presença de glúten que interfere na absorção dos nutrientes pela danificação do epitélio intestinal.

Neste caso, o único tratamento para a doença é a eliminação total do glúten da dieta (3).

Atualmente, é já reconhecida outra forma de sensibilidade ao glúten, chamada de sensibilidade ao glúten não celíaca, que se manifesta pelos mesmos sintomas (desconforto abdominal, diarreia, gases, dores de cabeça, etc.) mas não se verifica a danificação intestinal por autoimunidade (1).

Neste contexto, a indústria alimentar desenvolveu produtos sem glúten destinados a quem sofre desta patologia, mais precisamente pão, massas, cereais, de modo a melhorar a qualidade de vida dos doentes celíacos.

Mas se até há pouco tempo a dieta sem glúten era preocupação exclusiva de quem sofria desta intolerância, atualmente há já muitos seguidores deste tipo de dieta com objetivo de perda de peso e de mais saúde.

Efeitos colaterais de uma dieta sem glúten


efeitos colaterais de uma dieta sem gluten alimentos sem gluten

De forma simples, uma dieta sem glúten consiste na substituição de alimentos onde se encontra essa proteína, por outros onde não esteja presente, sejam eles naturais (arroz, batata, legumes, fruta) ou transformados (produtos sem glúten modificados pela indústria, como pão, massa e bolachas).

No entanto, para quem não sofre de doença celíaca nem de sensibilidade ao glúten, podem existir efeitos colaterais de uma dieta sem glúten.

1. Aumento de peso

Em primeiro lugar, é importante salientar que não é o glúten que provoca o aumento de massa gorda, mas sim os hidratos de carbono, açúcares e gordura presentes nos alimentos onde muitas vezes se inclui.

Com efeito, até ao momento não existem dados científicos que comprovem que a eliminação de glúten da alimentação esteja relacionada com a perda de peso.

De facto, muitos dos alimentos sem glúten (tanto naturais como processados) são igualmente calóricos, possuem igualmente (ou até mais) hidratos de carbono e / ou gordura.

Por outro lado, no caso dos produtos sem glúten processados, contam ainda com a adição de aditivos alimentares para ganharem melhor consistência e se conservarem durante mais tempo, assim como de sal, gordura hidrogenada e açúcar para ganharem melhor sabor.

Como tal, o valor energético destes produtos, principalmente de bolachas, pães e cereais de pequeno-almoço, é significativamente mais elevado do que os tradicionais (4).

2. Diabetes e doenças cardiovasculares

Associado ao aumento de peso mencionado no ponto anterior, o consumo de alimentos sem glúten processados pode levar ao surgimento de problemas de saúde relevantes como diabetes e doenças cardiovasculares, devido ao elevado teor de gordura saturada e / ou açúcar que estes alimentos podem ter adicionados (1,2).

3. Limitação do aporte de vitaminas e minerais

Fazer uma dieta sem glúten pode comprometer a ingestão de alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras importantes para a saúde, nomeadamente os cereais integrais e a aveia.

Como consequência, pode surgir obstipação, depressão do sistema imunitário, carências nutricionais, em particular vitaminas do complexo B, entre outras (1).

4. Aumento do risco de desenvolvimento de doença celíaca

A exclusão total do glúten da alimentação pode ainda potenciar o risco de doença celíaca a longo prazo. Isto porque, com a restrição, o organismo torna-se ainda mais sensível ao glúten, potenciando o reconhecimento deste componente como estranho pelas células do organismo e o seu impacto inflamatório (4).

Em suma…


Agora que já sabe os efeitos colaterais de uma dieta sem glúten, o segredo para ganhar mais saúde não está na eliminação total do glúten da sua alimentação, mas sim na adoção de hábitos alimentares saudáveis e na moderação da ingestão dos alimentos que contêm esta proteína.

Dentro dos alimentos que possuem glúten, prefira os mais naturais e pouco processados.

Veja também:

Fontes

1. “Risks of a Gluten-Free Diet” (2017). Disponível em:
https://www.sciencebasedmedicine.org
2. “Gluten-free diet not recommended for people without celiac disease” (n.d.). Disponível em:
https://bmj.com/company/newsroom/gluten-free-diet-not-recommended-for-people-without-celiac-disease/
3. “Going gluten-free just because? Here’s what you need to know” (2013). Disponível em:
https://www.health.harvard.edu
4. Faclm. M. (2016). “How a Gluten-Free Diet Can Be Harmful” (2016). Disponível em:
https://nutritionfacts.org/2016/02/23/how-a-gluten-free-diet-can-be-harmful/

Nutricionista Rita Lima Nutricionista Rita Lima

Rita Lima é nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2016 e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma faculdade. É membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas.

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