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Doenças de cães que passam para humanos: conheça algumas e previna-as

As doenças de cães que passam para humanos preocupam qualquer dono, mas há forma de as prevenir. Saiba mais sobre estas doenças e previna-as a tempo.

Doenças de cães que passam para humanos: conheça algumas e previna-as
Conheça as mais importantes e como evitá-las.

Historicamente, a maioria da transmissão de certas doenças de cães que passam para humanos estava relacionada com meios mais rurais devido à utilização dos cães para a caça e para a condução do rebanho, por exemplo, havendo maior contacto com outras espécies animais, algumas até selvagens (coelhos, morcegos, javalis, ovelhas).

No entanto, em meios urbanos, há também uma relação mais próxima entre o cão e o seu dono, tendo o cão acesso à maioria da habitação e convivendo de perto com a família.

Como tal, as doenças de cães que passam para humanos são um assunto que diz respeito a qualquer dono interessado.

Definição de zoonose


doencas de caes que passam para humanos e zoonose

As doenças de cães que passam para humanos são consideradas zoonoses.

Uma zoonose define-se como sendo qualquer doença ou infeção que é naturalmente transmissível de um animal vertebrado para um humano.

Existem as zoonoses diretas, nas quais a transmissão do animal para o humano é diretamente realizada através do ar ou das secreções/excreções, existem as indiretas, nas quais a transmissão é feita por intermédio de um vetor (mosquito, carraça), e as zoonoses inversas, nas quais a infeção é transmitida do humano para o animal.

É importante referir que não é comum os humanos ficarem doentes por alguma doença transmitida pelo cão e que são necessárias um conjunto de condições para que tal aconteça. Existem, no entanto, certos grupos de pessoas que estão mais suscetíveis de ficarem afetadas devido ao seu sistema imunitário ser mais frágil, como é o caso dos doentes, crianças e idosos.

Exemplos de doenças de cães que passam para humanos


doenca da raiva

1. Raiva

A raiva é, de entre das doenças de cães que passam para humanos, a mais conhecida.

Trata-se de uma infeção vírica fatal do sistema nervoso e que afeta maioritariamente animais carnívoros e morcegos, podendo no entanto afetar qualquer mamífero (incluindo o Homem).

A entrada do vírus no organismo ocorre através do contacto da saliva do animal infetado com a pele danificada do animal/pessoa, quer seja através de uma mordedura ou de uma ferida já pré-existente.

Uma vez no organismo, o vírus vai causar uma inflamação aguda e progressiva do cérebro e da medula espinhal, sendo que após os sinais clínicos se manifestarem, a doença é fatal. Os sinais, comuns ao Homem e ao cão, passam por alterações de comportamento, excitação e irritabilidade, paralisia progressiva. Nas pessoas desenvolve-se a hidrofobia (medo da água).

A raiva é uma doença de distribuição mundial, no entanto há países que se declaram livres, como é o caso de Portugal, devido ao sucesso dos programas que visam a eliminação do vírus, nomeadamente o da vacinação obrigatória dos cães.

Qualquer pessoa que tenha sido mordida por um carnívoro ou morcego deve lavar de imediato a ferida e dirigir-se aos cuidados médicos, sendo que o animal deve ficar em observação no mínimo 10 dias para descartar hipóteses de raiva.

Devido aos dramáticos sintomas e desfecho fatal, a vacinação obrigatória dos cães e, nalguns países, a inclusão no plano de vacinação dos humanos, é essencial.

2. Leptospirose

É conhecida como a “Doença dos Ratos”, apesar de não causar doença nestes. No entanto, os ratos podem ser portadores e transmitirem a bactéria Leptospira que causa doença noutros animais (cães, bovinos, suínos, ovinos, equinos) e nos humanos.

O contágio dá-se, na maioria das vezes, através do contacto da urina de um animal infetado com as mucosas (olhos, nariz e boca) ou com pele cuja barreira esteja quebrada (abrasões, feridas). Este contacto pode ocorrer, por exemplo, ao limpar no chão a urina do cão, ou então ao ser exposto a águas que possam estar contaminadas com urina.

Nos cães, esta infeção causa insuficiência renal aguda, podendo-se manifestar através de apatia, febre, vómitos, perda de apetite, icterícia (mucosas dos olhos e da boca amareladas), entre outros.

Nos humanos, os sintomas variam desde febre, dores musculares e erupções cutâneas, podendo até em casos mais graves causar meningite e insuficiência renal.

Tanto para os cães como para os humanos existe tratamento.

A prevenção passa pela vacinação dos cães, controlo dos roedores, usar luvas para desinfetar o chão com os fluídos corporais do cão e evitar a utilização/contacto com águas paradas.

Os surtos de Leptospirose estão associados a épocas de chuva intensa e cheias pois nestas ocasiões há uma migração dos roedores para os espaços urbanos.

3. Sarna

Nem todas as sarnas são contagiosas. Sarnas que fazem parte das doenças de cães que passam para humanos são, por exemplo, a sarna sarcóptica, causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, e a sarna por Cheyletiella.

No cão, a sarna sarcóptica provoca comichão intensa e afeta a pela principalmente nas orelhas, focinho, barriga e cotovelos. Nos humanos causa a chamada escabiose, que se manifesta também por comichão intensa e erupções cutâneas.

O contágio ocorre quando há um contacto próximo com cães afetados, e há um maior risco de infestação nas pessoas cujo sistema imune esteja mais frágil (doentes, crianças, idosos).

A sarna por Cheyletiella, conhecida como “caspa ambulante”, afeta a superfície da pele dos cães, e o ácaro é visível à vista desarmada.
Por ser mais superficial, torna-se facilmente transmissível aos humanos, provocando desde ligeiras dermatites até doença severa com sintomas sistémicos. Devido ao facto destes ácaros não completarem nenhuma fase do seu ciclo de vida no humano, o seu diagnóstico é complicado.

Ambas têm tratamento, apesar de por vezes prolongado. A transmissão previne-se através de boas práticas de higiene e do uso de luvas quando se contactar com animais afetados.

4. Hidatiose

A hidatiose é causada pelo parasita Echinococcus granulosus. Os cães infetam-se ao ingerir carne de ovinos, caprinos ou suínos mal cozinhada e que contenha quistos destes parasitas. Posteriormente, os cães excretam ovos destes parasitas nas fezes.

Ao ingerir acidentalmente estes ovos, devido a contaminação de comida/água ou más práticas de higiene, um humano fica contaminado com estes parasitas.

Após se alojarem em diferentes tecidos, como o pulmão e o fígado, estes parasitas desenvolvem-se ao longo do tempo em grandes quistos de paredes grossas, chamados quistos hidáticos.

O tratamento para estas situações consiste na remoção do quisto, sendo que é uma cirurgia com algum risco pois o quisto pode romper-se e disseminar os parasitas.

A prevenção passa por evitar alimentar cães com carne por cozinhar, cumprir o plano de desparasitação e por ter cuidado com a higiene das fezes dos cães.

Prevenção de doenças de cães que passam para humanos


lavar bem as maos

Todas as doenças de cães que passam para humanos aqui referidas podem ser evitadas com determinados cuidados :

  • Lavar as mãos com água e sabão depois de tocar no cão ou de limpar as suas instalações;
  • Não o deixar lamber as nossas feridas ou a boca;
  • Utilizar luvas ou saco plástico para remover as fezes do cão e dispô-las em local adequado;
  • Limpar adequadamente e desinfetar frequentemente o local onde vive o cão;
  • Cumprir com o plano de vacinação e desparasitação indicado pelo médico veterinário.

 

Leishmaniose e doenças de cães que passam para humanos


doenca da Leishmaniose

A Leishmaniose, apesar de ser uma zoonose e de ser alvo de preocupação por parte dos donos de cães, não foi abordada neste artigo como sendo uma doença de cães que passam para humanos pois para que tal ocorra é necessária a intervenção de um mosquito, tratando-se portanto de uma zoonose indireta.

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Drª Rita Campilho Drª Rita Campilho

Rita Campilho é médica veterinária. Apesar de viver na cidade, sempre teve contacto com animais e desde cedo que percebeu a importância destes como parte integrante do ecossistema. Tornou-se médica veterinária no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e atualmente trabalha com cavalos, cães e gatos. Também com cães na família, acredita que é através da educação e do conhecimento sobre comportamento e saúde animal que se consegue o melhor para os animais e para quem vive com eles.

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