Dispareunia: a dor constante durante o ato sexual

A relação sexual deveria ser sinónimo de prazer, no entanto, nas pessoas que sofrem de dispareunia, o ato sexual é associado a um momento extremamente doloroso.

 
Dispareunia: a dor constante durante o ato sexual
Tudo o que precisa de saber.

A dispareunia é um termo médico para descrever a sensação de desconforto ou dor constante ou persistente, que se inicia no momento da penetração, durante ou no final do ato sexual.

Na verdade, a dor pode ser provocada com qualquer tipo de penetração, seja no ato sexual, ou na introdução de um espéculo, ou até mesmo na hora de utilizar um tampão absorvente.

Quando a dispareunia surge desde a primeira relação sexual, é considerada primária e irá persistir toda a vida. Quando a dispareunia surge após anos de relações sexuais indolores, designa-se de dispareunia secundáriaSe este tipo de dor surgir apenas com determinados parceiros sexuais é designada de dispareunia situacional

Esta patologia pode ocorrer em ambos os sexos, mas é mais comum nas mulheres. Esta condição é uma das causas mais comuns de problemas nas relações sexuais e pode variar desde um leve desconforto, até uma dor aguda que ocasiona sofrimento e dificuldades de relacionamento do casal.

Causas da Dispareunia


vaginismo

Uma das principais causas da dispareunia é o vaginismo, isto é, contração involuntária dos músculos da vagina, tornando difícil a penetração e provocando dor durante o ato sexual.

Este tipo de dor durante o ato sexual é muito comum e pode acometer até 20% (sendo que este valor varia de autor para autor) das mulheres, sendo que o pico de incidência pode ocorrer entre os 20 e os 30 anos.

Após a menopausa, devido ao ressecamento da vagina por carência de estrogénio, a incidência volta a crescer.

As causas podem ser várias, dependendo se a dor é superficial ou profunda.

Causas de dor superficial:

  • Vagina que não produz fluido em quantidades suficientes, pelo que a lubrificação durante a relação sexual é inadequada;
  • Preliminares inadequados;
  • Vaginite atrófica – durante o processo de envelhecimento, o revestimento da vagina fica mais fino e pode se tornar seco porque os níveis de estrogénio diminuem;
  • Doenças sexualmente transmissíveis;
  • Durante a amamentação, a vagina pode se tornar seca porque os níveis de estrogénio são baixos;
  • Medicamentos que reduzam a lubrificação vaginal (antidepressivos, anti-hipertensivos, sedativos, anti-histamínicos e alguns anticoncepcionais orais);
  • Inflamação ou infeção na área genital (incluindo herpes genital), da vagina, ou glândulas de Bartholin;
  • Inflamação ou infeção do trato urinário;
  • Radioterapia que afeta a vagina, o que pode deixar a vagina menos elástica e pode causar cicatrizes, fazendo com que a área em torno da vagina seja menor e mais curta;
  • Reação alérgica a espumas ou geleias anticoncecionais ou a preservativos de látex. A dor também pode estar relacionada com um diafragma mal colocado;
  • Contração involuntária dos músculos vaginais (vaginismo);
  • Raramente, uma anormalidade congénita ou um hímen que interfere na entrada do pénis;
  • Cirurgia para estreitar a vagina (por exemplo, para reparar tecidos rompidos durante o parto ou para corrigir uma doença do assoalho pélvico).

Causas de dor profunda:

  • Infeção do colo uterino, do útero ou das trompas de Falópio, que podem causar acumulação de pus (abcessos) na pélvis;
  • Endometriose;
  • Tumores e cistos ováricos;
  • Faixas de tecido com cicatriz (adesões) entre os órgãos da pélvis, o que pode desenvolver, após uma infeção, cirurgia ou radioterapia, cancro num órgão pélvico (como a bexiga, útero, colo do útero, trompas de Falópio ou ovários);
  • Retroversão do útero, ou seja, o útero fica preso numa direção inclinada para trás.

Mas a dor durante o ato sexual também pode ter origem em fatores psicológicos, sem que possa ser possível identificar uma causa óbvia para a dor que a mulher sente durante a relação sexual.

Os principais fatores de risco para a dispareunia de origem psicológica são:

  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Stress;
  • Crença religiosa muito rígida;
  • Baixa auto-estima;
  • Sentimento de culpa em relação à sexualidade;
  • Falta de desejo sexual pelo parceiro.

No caso de dispareunia, recente ou antiga, deve procurar a ajuda do seu ginecologista, de forma a que, ele possa fazer uma investigação detalhada da causa do problema e orientar o tratamento correto.

Diagnóstico da Dispareunia


ginecologista

O diagnóstico baseia-se na descrição do problema, incluindo quando, como e onde a dor é sentida, bem como nos resultados do exame físico minucioso (exame pélvico), com identificação das áreas dolorosas, inspeção detalhada para verificar alterações da anatomia e a presença ou não de lesões vulvares, na maioria das vezes, demonstra a causa.

Pode ser necessário recorrer a outro tipo de exames, tais como: exames ao corrimento vaginal; urina de rotina e urocultura na suspeita de infeções urinárias e hemogramas para infeções pélvicas. Se encontrar uma área anormal, o médico pode realizar uma biópsia.

Sintomas da Dispareunia


Os sintomas desta patologia podem abranger as seguintes situações:

  • Dor em pontada ou ardente que surge logo no início da penetração, durante ou após o ato sexual;
  • Dor em múltiplos locais da anatomia ginecológica;
  • Se além da dor houver também sangramento ou corrimento vaginal durante ou logo após o coito, a causa mais provável são traumas ou infeções ginecológicas.

Tratamento da Dispareunia


pomada

O tratamento da dispareunia irá depende, obviamente, da sua causa:

  • Se for secura vaginal, o uso de lubrificantes (preferencialmente os lubrificantes à base de água), a reposição hormonal, ou um maior tempo nas preliminares pode ser suficiente para ultrapassar este problema;
  • Se for uma infeção ginecológica, por exemplo a candidíase, o tratamento deve ser feito de forma a tratar o microrganismo que está a causar a inflamação/infeção;
  • No caso de cistos ou abcessos, é necessária a sua remoção através de intervenção cirúrgica;
  • Na presença de um hímen rígido ou outra anomalia congénita, poderá ser necessária a cirurgia para correção anatómica;
  • Quando não existe uma causa clara para a dor durante o sexo, a origem provavelmente está em fatores psicológicos. Nestes casos, o tratamento envolve a educação sexual da paciente, medidas de prevenção, exercícios próprios para relaxar a musculatura pélvica, pomadas anestésicas, mudança na posição durante a relação sexual, modificação comportamental, apoio emocional e, às vezes, fármacos;

Por vezes os casais são incentivados a encontrar outras formas de atingir o prazer mútuo, que não envolva a penetração, por exemplo, utilização das mãos, estimulação envolvendo a boca, etc.

Nota


Na maioria das vezes, a dispareunia tem cura, é preciso apenas paciência, persistência e um tratamento adequado, o que costuma ser obtido com ginecologistas especializados em problemas sexuais.

Independente da situação, é preciso alertar que, quando não tratada, essa disfunção pode evoluir para transtornos de excitabilidade e para a perda total de desejo sexual.

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