Dislexia: 12 sinais e sintomas aos quais vale a pena estar atento

Podemos não gostar de ler ou podemos sentir uma real incapacidade para ler. Neste último caso, podemos então estar perante uma situação de dislexia.

 
Dislexia: 12 sinais e sintomas aos quais vale a pena estar atento
Como saber se estamos perante um caso de dislexia?

Habitualmente, a aprendizagem da leitura é um processo relativamente simples, todavia, há casos em que existe uma incapacidade real para ler. Neste artigo vamos tentar compreender melhor as situações de perturbação ou atraso na aquisição, aprendizagem ou processamento da leitura. Vamos, portanto, falar sobre dislexia.

O que é a dislexia?


dislexia menino com dificuldade em aprender

De forma simples, podemos definir dislexia como uma disfunção de cariz neurológico, que se manifesta através de dificuldades ao nível da aprendizagem da leitura, em pessoas que apresentam uma inteligência absolutamente normal. Podemos encontrar diferentes tipos de dislexia, cada qual com as suas especificidades.

Assim sendo, a dislexia caracteriza-se pela presença de perturbação ou atraso na aquisição, aprendizagem ou processamento da leitura, na ausência de qualquer outra limitação ou alteração da capacidade intelectual, e pode ser um obstáculo ao longo do percurso escolar.

As situações de dislexia não são devidas à qualidade do ensino, à capacidade intelectual, nem ao ambiente sociocultural em que o sujeito está inserido. Pelo contrário, esta disfunção é causada por determinadas alterações ao nível da estrutura e funcionamento neurológico, podendo apresentar influência genética em alguns casos (as perturbações da leitura parecem ter uma forte componente hereditária).

12 sinais e sintomas de dislexia aos quais vale a pena estar atento!


dislexia confusao mental

Tendo como base os estudos realizados ao longo dos anos, é possível identificar um conjunto de sinais e sintomas habitualmente presente nas situações de dislexia, nomeadamente:

  1. Leitura silabada, hesitante, com muitas incorreções;
  2. Dificuldade na leitura de palavras irregulares e pouco frequentes;
  3. Dificuldade na compreensão de textos e enunciados lidos;
  4. Substituição de palavras por outras de estrutura similar, apesar do diferente significado (por exemplo, saltou/salvou);
  5. Trocas fonológicas e lexicais (por exemplo, o/u; p/t; s/ss; s/z; g/j; x/ch; ão/am; au/ao);
  6. Dificuldade na associação do som ao desenho da letra;
  7. Omissão ou adição de letras e sílabas;
  8. Confusão de letras com sons próximos;
  9. Recorrer a estratégias para não ler;
  10. Demora na realização dos trabalhos de casa;
  11. Pouco ou nenhum prazer na leitura;
  12. Resultados escolares inferiores à capacidade intelectual apresentada.

 

Diagnóstico e tratamento da dislexia


dislexia terapeuta e crianca

A dislexia é uma perturbação muito frequente e, portanto, muito estudada. De forma habitual, as primeiras suspeitas de dislexia começam a ser levantadas por aqueles que estão mais próximos das crianças e acompanham as suas aprendizagens, professores e educadores.

Após a comunicação da suspeita de dislexia aos pais, as crianças devem ser encaminhadas para avaliação, levada a cabo por um psicólogo e por um docente de ensino especial, para que as suspeitas iniciais sejam ou não confirmadas. A avaliação levada a cabo por estes profissionais é bastante abrangente e pode incluir a recolha da história clínica e de desenvolvimento, avaliação cognitiva e comportamental, avaliação da leitura e escrita, e avaliação da linguagem oral.

Após o diagnóstico se encontrar estabelecido, importa pensar seriamente na intervenção, na medida em que as aquisições das competências de leitura e escrita podem condicionar toda a aprendizagem futura das crianças. Os programas de intervenção dirigidos aos alunos com dislexia devem ter como objetivo o desenvolvimento de competências essenciais para leitura e escrita e a diminuição das dificuldades linguísticas existentes.

Para o sucesso da intervenção, é essencial que todos os profissionais envolvidos (psicólogo; terapeuta da fala; professor titular; docente de educação especial) trabalhem em conjunto e sintonia e sempre em estreita articulação com os pais. Os pais podem desempenhar um importante papel ao nível da intervenção na dislexia, já que alguns autores afiançam que os pais influenciam as capacidades de leitura das crianças, mais especificamente as suas atitudes face à leitura.

É importante que os pais manifestem sentimentos positivos em relação à leitura e que estabeleçam hábitos de leitura desde cedo. A leitura conjunta entre pais e crianças parece ser determinante para o interesse e motivação que as crianças manifestam em relação à leitura no futuro.

Como conclusão…


As crianças e os jovens com dislexia tendem a apresentar um conjunto de características aos quais importa estar atento, na medida em que podem ser de extrema utilidade para a deteção precoce desta disfunção.

Para além dos sinais e sintomas acima descritos, as crianças e os jovens com dislexia podem manifestar dificuldades noutras áreas, nomeadamente: noção do corpo; memória; representação espacial; grafismo e expressão oral; coordenação de movimentos; orientação no espaço e no tempo; lateralização e orientação esquerda/direita.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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