Dieta do grupo sanguíneo: em que consiste e qual a evidência

A dieta do grupo sanguíneo defende recomendações alimentares específicas para cada tipo de sangue. Será que faz sentido? Terá sucesso na perda de peso?

Dieta do grupo sanguíneo: em que consiste e qual a evidência
Apesar de não possuir evidência científica muito consistente, alguns argumentos devem ser considerados.

Desenvolvida por Peter J. D’Adamo, a dieta do grupo sanguíneo defende um padrão alimentar especifico para cada tipo de sangue, baseando-se na teoria de que o tipo sanguíneo influencia as funções digestivas, imunológicas e os alimentos mais corretos para potenciar o emagrecimento.

De uma forma geral, esta dieta visa promover a saúde e prevenir a doença, mas também afirma ajudar no processo de emagrecimento, visto que, ingerir os alimentos adequados, pode acelerar o metabolismo, o que é decisivo para a perda de peso.

Mas antes de avançar para a teoria da dieta do grupo sanguíneo, importa salientar que o grupo sanguíneo é determinado pelos antigénios existentes na superfície dos glóbulos vermelhos, sendo que estes antigénios estão também presentes em alguns neurónios, plaquetas e no tecido vascular.

De uma forma geral, existem 4 grupos sanguíneos: A, B, AB e O.

Atualmente, existem já provas de que existe uma correlação direta entre os grupos sanguíneos e determinadas doenças, nomeadamente:

  • Grupos sanguíneos A, B e AB – as pessoas que pertencem a estes grupos têm taxas de doenças cardiovasculares e mortailidade mais elevadas, devido à presença de mais fatores de coagulação e, consequentemente, uma maior tendência para a formação de trombos.;
  • Grupos sanguíneos A, B e AB – também parece haver uma relação direta entre estes grupos e o risco de cancro do pâncreas e do estômago;
  • Grupo sanguíneo A – no que toca ao cancro gástrico, este é o grupo sanguíneo que apresenta maior risco, por possuir maior propensão à infeção pela bactéria Helicobacter pylori.

No entanto, e apesar do que foi referido anteriormente, a manutenção de um peso saudável e de um estilo de vida equilibrado é um objetivo a atingir por todos independentemente do seu grupo sanguíneo.

Dieta do grupo sanguíneo: em que consiste?


dieta do grupo sanguineo

Para cada grupo, existem os produtos benéficos, ou seja, aqueles alimentos que são capazes de prevenir e de tratar de doenças, para além de facilitarem a perda de peso, os quais devem ser ingeridos diariamente.

Já os alimentos neutros são os que não fazem nem bem, nem mal e, por esse motivo, podem ser consumidos com alguma regularidade, mediante os gostos pessoais.

Finalmente, os ingredientes nocivos têm de ser eliminados totalmente da dieta do tipo sanguíneo. São estes produtos que desequilibram o organismo, diminuindo a taxa metabólica basal e potenciando a doença.

Neste contexto, esta dieta define os seguintes hábitos alimentares para cada grupo.

1. Grupo sanguíneo O

Segundo o autor, é o mais ancestral da humanidade, tem um sistema digestivo e imunológico mais robusto e preparado, pelo que as pessoas que o possuem devem optar por ingerir uma maior quantidade de proteínas animais e produtos hortícolas (alimentos benéficos), em detrimento de alimentos ricos em hidratos de carbono, como cereais e leguminosas (alimentos nocivos).

O azeite (alimento neutro) deverá ser a gordura de eleição para quem pertence a este grupo sanguíneo.

2. Grupo sanguíneo A

Acreditando que este grupo sanguíneo se desenvolveu em locais com menos proteína animal e que, por isso, tem um sistema digestivo mais sensível, o autor defende que a escolha destes indivíduos deveria passar por uma dieta vegetariana ou com pouca inclusão de carne (alimento nocivo), com preferência por carnes magras.

3. Grupo sanguíneo B

Segundo a teoria de que teria sido desenvolvido sobretudo por tribos nómadas, as pessoas que integram este grupo seriam as únicas a poder ingerir laticínios (alimento neutro) por terem um sistema digestivo tolerante, acompanhados por produtos hortícolas e grande diversidade de frutas (alimentos benéficos). Toleram bem os cereais, mas devem moderar o consumo de trigo.

Em conclusão

Tendo em conta a informação acima referida, é possível constatar que algumas orientações nutricionais propostas por esta abordagem possam fazer sentido, principalmente uma menor ingestão de proteína animal por parte dos indivíduos pertencentes ao grupo A, um grupo com risco aumentado de doenças cardiovasculares e de cancro gástrico.

Além diss,o e de acordo com a evidência científica existente, verificou-se uma melhoria dos indicadores metabólicos (uma vez que qualquer uma das dietas pode ser considerada saudável), mas que este perfil metabólico mais favorável não estava associado a um grupo sanguíneo específico, mas sim à adesão à dieta.

Quer isto dizer que a adesão à dieta, seja ela qual for, é sempre o fator mais importante. Como tal, pode inclusive misturar todas as recomendações alimentares para cada grupo sanguíneo, desde que as cumpra e mantenha o seu peso e massa gorda dentro das recomendações estabelecidas.

PORTANTO, VALE A PENA ADOTAR A DIETA DO GRUPO SANGUÍNEO?


mulher com barriga inchada

Analisando os factos e a evidência conhecidos sobre esta dieta, é possível constatar:

  • Não existem provas irrefutáveis e consensualmente aceites de quando e onde se desenvolveram os grupos sanguíneos;
  • Apesar da melhoria dos indicadores metabólicos com as indicações nutricionais específicas para cada grupo, não se encontrou uma associação direta a qualquer um dos grupos sanguíneos, visto que as orientações dos diferentes padrões alimentares da dieta do grupo sanguíneo já são, por si só, são saudáveis.

Para concluir, podemos dizer que se desejar adotar a dieta do grupo sanguíneo, pode fazê-lo. O facto de aderir a uma dieta saudável, que não prejudica a sua saúde, é sempre positivo mas, quanto à dieta em si, teremos de aguardar para que haja uma relação comprovada entre os fatores grupo sanguíneo e padrão alimentar específico.

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