Como cuidar de um cão sénior: dicas e conselhos para melhorar a vida do seu patudo

Para cuidar de um cão sénior e conseguir proporcionar-lhe qualidade de vida é importante conhecer os problemas associados a esta faixa etária. Saiba mais.

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Como cuidar de um cão sénior: dicas e conselhos para melhorar a vida do seu patudo
Os cães séniores devem fazer check-ups com maior regularidade.

Cuidar de um cão sénior nem sempre é tarefa fácil. No entanto, saber quais são os problemas mais comuns e os sinais a que devemos estar atentos, pode ser bastante útil para melhorar a vida do seu melhor amigo.

Cuidar de um cão sénior: como identificar que o seu cão se tornou sénior?


 

Cuidar de um cao senior

Um cão, por norma é considerado sénior através da idade. No entanto existem outras caraterísticas físicas e mentais que nos permitem perceber que o nosso amigo de 4 patas está a entrar numa idade geriátrica.

1. Idade

A idade em que se considera que o cão seja sénior, varia consoante a raça e o porte do animal. Geralmente, cães de porte maior envelhecem mais rapidamente, e dessa forma são séniores mais cedo, por volta dos 7 anos de idade.

Os cães de porte mais pequeno, têm tendência para terem uma maior  esperança média de vida e, portanto, consideram-se séniores aproximadamente a partir dos 10 anos.

Cães sem raça definida, ou os chamados rafeiros, normalmente envelhecem mais tarde. No entanto, estas idades são meramente indicativas. Cada cão é único, e dessa forma, cada caso deve ser avaliado individualmente.

2. Pêlos brancos

Tal como nas pessoas, os cães, com a idade têm tendência para mudarem a tonalidade de alguns pêlos de escuros para brancos ou cinzentos, os chamados pêlos grisalhos. Isto deve-se a uma diminuição da produção de melanina, que faz parte do processo natural do envelhecimento das pessoas e animais.

A melanina é uma substância produzida pelo próprio organismo, responsável pela coloração dos pêlos, pele e outras funções.

Em cães brancos ou mais claros esta despigmentação pode não ser notória.

3. Alterações do ciclo de sono

Muitas vezes, quando os cães envelhecem podem ter alterações no ciclo de sono, como por exemplo, começarem a dormir mais de dia, e de noite não quererem dormir e até terem mais atividade durante as horas de sono.

4. Aumento de ansiedade e alterações comportamentais

Muitas vezes cães calmos ficam mais agitados com o avançar da idade e, começam a desenvolver ansiedade por separação e não conseguem estar longe dos seus tutores.

Cães que já apresentem estes problemas ao longo da vida, tendem a ficar ainda mais agitados ao longo do tempo. Podem também mudar de atitude perante as pessoas e animais, como deixar de tolerar a presença de outros animais ou pessoas que não conhecem.

Cães séniores podem demonstrar sinais de agressividade mesmo tendo sido toda a vida meigos e dóceis tanto com as pessoas como com animais.

5. Confusão mental

Tal como nas pessoas, com a idade, os cães podem perder algumas faculdades. Podem ficar incapazes de resolver problemas simples como ultrapassar barreiras físicas ou obstáculos, podendo, inclusive, ficar com a cabeça encostada à parede sem conseguir dar a volta sozinhos.

Também podem passar horas a caminhar pela casa ou em círculos sem razão aparente. É comum cães geriátricos fazerem vocalizações anormais e ladrarem sem motivo.

Alguns cães podem até deixar de reconhecer, ainda que momentaneamente, os próprios tutores ou os animais com quem sempre conviveram. Isto pode gerar medo, ansiedade e agressividade.

Pode acontecer que cães que desde sempre estavam habituados a fazer necessidades num local apropriado comecem a fazê-las em locais em que nunca antes tinham feito e a horas não usuais.

Esta confusão mental e conjunto de alterações comportamentais em cães séniores é um transtorno conhecido por disfunção cognitiva. Se o seu cão tem algum sintoma referido anteriormente, poderá estar a entrar numa fase sénior e deve portanto, consultar o seu médico veterinário.

Cuidar de um cão sénior: doenças e transtornos característicos da idade


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Apesar das doenças poderem surgir em qualquer idade, há várias patologias, síndromes e transtornos que surgem especificamente em cães geriátricos. Saiba que, com o Plano de Saúde animal Vetecare, pode poupar em possíveis idas ao veterinário. Por apenas 13€ por mês e com uma vasta lista de veterinários parceiros por todo o país, este plano vai facilitar o acesso a uma rede de prevenção e cuidados essenciais para o seu melhor amigo.

1. Osteoartrite

É bastante comum, com o decorrer da idade, surgirem problemas nos ossos e articulações, especialmente devido ao seu desgaste. Faz parte do processo natural do envelhecimento e não há como evitar. No entanto, pode estar atento aos primeiros sintomas e ter alguns cuidados para retardar o seu aparecimento.

Os cães com mais peso sobre as articulações, cães obesos, têm maior tendência para o seu desgaste, portanto, deve ter cuidado para que o seu cão não ganhe excesso de peso.

Sinais como perda de massa muscular, dificuldade a subir escadas e rigidez nos membros podem indicar osteoartrite.

2. Tumores

Com uma idade mais avançada, as hipóteses de o seu cão vir a desenvolver um tumor aumentam. Os tumores podem ser benignos ou malignos e consoante o local podem ter diversas sintomatologias.

É importante consultar o seu médico veterinário com mais regularidade para um check up quando tem um cão geriátrico, para que ao primeiro sinal possa ser detetado este ou outros problemas.

3. Obesidade

Uma vez que o cão quando envelhece fica com menos energia e o seu metabolismo diminui, os cães geriátricos têm mais tendência para engordar.

Para prevenir o aparecimento da obesidade e cuidar de um cão sénior devidamente, deve adequar a alimentação à sua idade, dando ração especial para cães séniores.

Pode também continuar a brincar com o seu cão e não deixar de fazer exercício físico. No entanto, deve adaptar os exercícios e respeitar os limites do seu cão, deixando-o repousar.

4. Cataratas

Tal como nas pessoas, os cães ao longo da sua vida vão perdendo a sua capacidade de visão. O cão pode perder parte da sua visão ou até totalmente.

Irá notar que o seu cão se esbarra com os objetos e os olhos apresentam um aspeto nublado.

Em alguns casos, as cataratas podem ter resolução cirúrgica. Se notar que o seu cão tem dificuldade em ver ou que tem os olhos com aspeto anormal, deve consultar o seu médico veterinário no imediato.

Nunca deve colocar nada nos olhos do seu cão sem ter consultado previamente o médico veterinário.

5. Problemas cardíacos

Com a velhice os cães podem desenvolver problemas cardíacos. É comum que o problema seja devido à perda de força das válvulas e o surgimento de sopros cardíacos.

Deve estar atento a sintomas como síncopes (desmaios), tosse, cansaço, perda de peso e dispneia (falta de ar).

Conclusão…


Cuidar de um cão sénior requer uma atenção especial para o cuidados específicos da idade como a alimentação, proporcionar locais de descanso, atividade física moderada e brincadeiras respeitando os limites do cão.

Deve também estar atento a sinais de doenças que o seu cão pode desenvolver numa idade mais avançada. A ida ao médico veterinário deve passar a ser mais frequente quando o seu cão é sénior e um plano de saúde animal pode ajudá-lo a poupar em possíveis despesas que possa ter.

Caso o seu cão tenha algum sinal de confusão mental e alterações comportamentais, deve compreender que é característico da idade e não deve castiga-lo.

No entanto, neste e em todos os tipos de situação que surjam com o seu cão geriátrico, deve consultar o seu médico veterinário para que o aconselhe sobre o melhor para si e para o meu melhor amigo.

Apesar de ser inevitável o seu cão envelhecer, saiba que é possível, com alguns cuidados e acompanhamento do médico veterinário, aumentar e proporcionar-lhe uma melhor qualidade de vida.

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Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.