Cicatriz queloide: em que consiste e quais as formas de a tratar!

Nem sempre o processo de cicatrização das lesões da pele decorre normalmente, por vezes surge uma cicatriz com aspeto avermelhado, endurecida, e que ultrapassa as margens da lesão, que corresponde a uma cicatriz quelóide. Saiba mais sobre este tema.

Cicatriz queloide: em que consiste e quais as formas de a tratar!
Esteja a par das novidades para prevenir quelóide.

A cicatriz queloide é uma alteração benigna da pele, sem riscos para a saúde, que corresponde a um crescimento anormal do tecido cicatricial devido a maior produção de colagénio no local onde ocorreu uma lesão na pele.

A principal característica deste tipo de cicatriz é o fato de ela não se restringir à área lesionada. Este tipo de cicatriz “invade” áreas de pele saudáveis em redor da lesão e pode continuar expandir-se lentamente com o passar dos anos. A cicatriz queloide aparece aproximadamente 3 a 4 semanas após a lesão, mas em alguns casos, pode surgir depois desse período.

Esta forma de cicatrização anormal surge frequentemente após cortes, cirurgias, com o acne e após a colocação de piercings no nariz e na orelha, por exemplo, ou mesmo no trauma da tatuagem.

Cicatriz queloide: prevalência


Verifica-se que este tipo de cicatriz é mais frequente em pessoas de raça negra, hispânicos, orientais e em pessoas que já desenvolveram queloide anteriormente.

Se a pessoa apresenta uma tendência a formar cicatrizes queloides, fique com a noção de que qualquer lesão que possa causar cicatriz pode levar novamente à sua formação.

Cicatriz queloide: sintomas comuns


cicatriz queloide no braco

Apesar de ser uma alteração que não representa risco para a pessoa, por ser benigno, normalmente causa bastante desconforto, principalmente a nível estético.

É importante que seja diagnosticada por um dermatologista, uma vez que é importante não confundir com as cicatrizes hipertróficas. Estas últimas são muito mais comuns e, apesar de cicatrizes elevadas e endurecidas, elas mantêm os limites da cicatriz e tendem a melhorar mais rápido com o tratamento adequado.

A cicatriz queloide é caracterizada por ser uma cicatriz exuberante, grossa, com relevo e de cor avermelhada. Alguns casos apresentam também prurido (comichão), queixas de dor ou uma sensação de queimadura em redor da cicatriz.

Os lugares onde se verifica mais o desenvolvimento de queloides são: ombros, costas e mamas, por serem áreas de maior espessura.

Cicatriz queloide: tratamento mais comuns


pomada para cicatriz

Verifica-se que não existe nenhuma terapêutica que isolada totalmente eficaz no tratamento dos queloides. Pelo que, na maioria dos casos, são associados um ou mais tratamentos para melhorar o aspeto da cicatriz queloide e para evitar as recidivas.

1. Pomadas para quelóide

As pomadas para quelóide ajudam a alisar a pele e a disfarçar a cicatriz, sendo consideradas uma das melhores opções de tratamento.

As principais pomadas utilizadas são: Cicatricure gel, Contractubex, Skimatix ultra, C-Kaderm e Kelo Cote.

2. Injeção com corticóide

É o tratamento mais indicado para queloides que estão no início ou ainda apresentam dimensões pequenas.

O corticóide auxilia na diminuição da cicatriz, fazendo com que a cicatriz fique mais plana e diminui a irritação da pele, pois o medicamento é injetado diretamente na lesão com intervalos que podem variar entre quatro e seis semanas.

Uma desvantagem deste tratamento é o fato das injeções serem dolorosas.

3. Penso de silicone

O penso de silicone é um curativo auto-aderente e impermeável que deve ser aplicado sobre o queloide durante 12 horas por um período de 3 meses.

Esse curativo promove a diminuição da vermelhidão da pele e da altura da cicatriz.

4. Tratamento com laser

Esta terapia expõe a pele a um laser que aquece sua camada superficial, a epiderme e a parte da derme. O laser  remove as camadas mais afetadas, fazendo com que as camadas mais naturais da pele fiquem expostas.

Este tipo de tratamento ajuda a fazer com que a cor do queloide diminua, mas deve ser utilizado conjuntamente com outra terapia.

5. Crioterapia

A crioterapia utiliza o nitrogénio líquido para congelar o queloide. utilizando o principio de dentro para fora.

É usada para reduzir a dureza e o tamanho de um queloide, tornando-o mais lisa e deixando a protuberância menor.

A crioterapia funciona melhor em queloides pequenos e deve ser realizado em sessões. É importante ressaltar que este tratamento pode deixar a pele mais clara onde o medicamento foi aplicado.

6. Cirurgia

A cirurgia é utilizada apenas em última estância, devido ao risco associado de formação de novas cicatrizes ou até mesmo piorar a queloide já existente.

Os melhores resultados em cirurgia ocorrem quando se remove parte do queloide, uma técnica chamada de “debuking”, e as incisões são realizadas não atingindo a pele normal ao redor. Em seguida, ainda na sala de cirurgia, utilizam-se os medicamentos injetáveis como medidas de controle de recidiva, seguidos de curativos oclusivos e compressivos.

7. Radioterapia ou betaterapia

A aplicação de radioterapia é extremamente eficaz, porém, a sua segurança a longo prazo ainda é incerta. Aplica-se a radiação no local onde há a necessidade de desenvolver cortes para reduzir o risco de cicatrizes.

Aparentemente, a quantidade de radiação é muito baixa e o risco de formação de tumores malignos é pequeno.

Como evitar o queloide durante a cicatrização?


protecao de cicatriz

É importante ter alguns cuidados adicionais, de forma a evitar a formação de uma cicatriz queloide, como por exemplo:

  • Utilizar protetor solar com fator de proteção solar alto (> a 30) todos os dias;
  • Proteger a lesão da exposição direta ao sol, pois a exposição ao sol pode causar escurecimento da cicatriz;
  • Utilizar cremes ou pomadas adequados a este tipo de cicatriz.

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.