Causas da Esquizofrenia: conheça esta doença tão preocupante

As causas da esquizofrenia continuam a ser ainda uma questão sem resposta, apesar da extensa investigação que tem sido realizada. Todavia, alguns fatores parecem ser de grande relevância como, a hereditariedade, alterações cerebrais, aumento de uma substância no cérebro chamada dopamina e eventos de vida stressantes.

Causas da Esquizofrenia: conheça esta doença tão preocupante
A esquizofrenia é uma das 20 principais causas de incapacidade no mundo.

Quanto mais aprendemos sobre as causas da Esquizofrenia e respetiva intervenção, mais podemos ajudar os pacientes a terem sucesso no tratamento.

O impacto da esquizofrenia


causas da esquizofrenia e apoio multidisciplinar

A esquizofrenia é uma doença que se encontra identificada praticamente em todo o mundo. Atinge pessoas de todas as raças, culturas, classes económicas e sociais e ambos os sexos.

No que concerne à prevalência e incidência, a esquizofrenia deve ser considerada a causa mais importante de incapacidade psiquiátrica crónica. Está entre os dez principais motivos de carga social a longo prazo e representa entre 1,5% a 2,6% das despesas de saúde nos países desenvolvidos.

Tendo impacto tão significativo, é natural que nas últimas décadas se tenha verificado um grande avanço, quer no tratamento, quer na investigação das causas da esquizofrenia.

Quais as causas da Esquizofrenia?


Ao longo do tempo foram várias as tentativas para explicar a origem desta doença.

1. Predisposição Genética

genetica

Os estudos genéticos demonstram que existe uma predisposição genética para a esquizofrenia. É considerada uma doença de âmbito familiar, sendo maior o risco de padecer desta patologia quanto maior é o grau de parentesco entre os indivíduos. A probabilidade de uma qualquer pessoa desenvolver a doença é de 0,5 a 1%, mas esta aumenta quando há familiares com Esquizofrenia.

De facto, cerca de um terço das pessoas com esquizofrenia apresenta antecedentes familiares da doença, bem como é comum encontrar familiares com o mesmo transtorno e em maior frequência quanto mais próximo for o grau de parentesco.

Os familiares em primeiro grau de doentes esquizofrénicos têm um risco de vir a desenvolver a doença cerca de dez vezes maior do que o da população em geral, ou seja, quanto maior a proporção de material genético partilhado, maior a probabilidade de desenvolver esquizofrenia. Um filho com um dos pais com esquizofrenia apresenta 12% de probabilidade de vir a desenvolver a doença, enquanto que um filho com ambos os pais afetados apresenta uma probabilidade na ordem dos 40%.

No entanto, cerca de 81% dos doentes não têm qualquer familiar em primeiro grau que apresente esta patologia, o que nos leva a pensar que outros fatores, apesar de poderem ter menor influência em comparação com os fatores genéticos, podem também ser potenciais causas de esquizofrenia.

Assim sendo, a predisposição genética para a esquizofrenia parece não justificar, por si só, a doença.

2. Estrutura Cerebral

estrutura do cerebro

A estrutura cerebral parece também ser uma das potenciais causas da esquizofrenia, existindo evidências que apontam para uma alteração no funcionamento cerebral capaz de causar sintomas incapacitantes.

Contudo, esta hipótese requer maior investigação de forma a obter conclusões finais, já que as alterações fisiológicas da esquizofrenia parecem abranger mais do que uma área do cérebro.

3. Fatores Bioquímicos

dopamina

Quanto aos fatores bioquímicos, a hipótese mais citada continua a ser a da “hiperatividade dopaminérgica”, que defende que alterações ao nível deste neurotransmissor (dopamina) e seus recetores poderão ser uma das causas da doença.

Esta hipótese está relacionada com a dopamina, um dos neurotransmissores mais famosos do nosso sistema nervoso, que desempenha várias funções, nomeadamente ao nível do comportamento e cognição, movimento voluntário, motivação, sono, humor, atenção e aprendizagem.

Esta teoria é sustentada pelo efeito da medicação utilizada na esquizofrenia que, ao bloquear os recetores da dopamina, melhora os sintomas positivos da esquizofrenia.

No entanto, o mecanismo da dopamina não explica inteiramente a esquizofrenia e o papel de outros neurotransmissores está a ser investigado.

4. Acontecimentos da vida stressantes

homem preocupado

Existem igualmente evidências de que os acontecimentos stressantes de vida, nomeadamente história de abusos ou traumas durante a infância, podem desencadear esta patologia mas, mais uma vez, isoladamente não podem ser considerados fatores causais da doença, uma vez que nem todas as pessoas com este tipo de experiências desenvolve a doença.

5. Outros fatores de risco

Outros fatores de risco estudados incluem o local de nascimento, o nível socioeconómico, o consumo de produtos tóxicos (cannabis) e a existência de infeções ou carências nutricionais da mãe durante a gravidez, no entanto, não existem dados consistentes que confirmem estas hipóteses.

Em suma


Embora se defenda que a esquizofrenia possa estar associada a alterações genéticas, da atividade e estrutura cerebral, químicas, fatores psicológicos, biológicos ou sociais, a verdade é que apesar de todos os esforços não existe ainda nenhum agente ou mecanismo que de forma isolada possa ser causa da esquizofrenia.

Não existindo uma explicação única nem um fator causal exclusivo da esquizofrenia, as evidências científicas apontam para a existência de múltiplas causas doença.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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