O que fazer quando um bebé se engasga: passo a passo!

Os bebés engasgam-se, seja por curiosidade em colocar brinquedos na boca, ou pela alimentação/salivação. Saiba o que deve fazer quando um bebé se engasga.

 
O que fazer quando um bebé se engasga: passo a passo!
Saiba como agir!

O engasgamento é um acontecimento que pode ocorrer em qualquer idade do ser humano, no entanto, é de extrema importância saber o que fazer quando um bebé se engasga, de forma a poder atuar de forma calma e segura, evitando complicações maiores.

O bebé pode-se engasgar facilmente, quer seja ao ser alimentado através do biberão, ao seio materno, durante a alimentação com sopa ou outros alimentos, bem como, com a própria saliva ou até mesmo com pequenos objetos, como por exemplo brinquedos ou moedas.

Muitas vezes são situações presenciadas por terceiros, pelo que os primeiros socorros podem e devem, ser iniciados de imediato, ainda com a vítima consciente.

Como se manifestam os sintomas quando um bebé se engasga?


bebe se engasga a chorar

Quando um bebé se engasga, dependendo se a via aérea está parcial ou completamente obstruída pelo objeto/alimento, podemos verificar alguns dos seguintes sintomas:

  • Ruídos respiratórios estranhos, como por exemplo, estridor (chiadeira);
  • Tentativa sucessiva de tossir ou ânsia de vomitar;
  • Taquipneia (respiração rápida) e o bebé ficar ofegante;
  • O bebé abre a boca, mas não consegue emitir nenhum som;
  • Lábios ou extremidades (dedos das mãos ou pés) cianosados (azulados ou arroxeados);
  • Esforço respiratório exagerado;
  • Ausência de entrada/saída de ar da boca;
  • Eventual perda de consciência.

 

O que fazer quando um bebé se engasga: passo a passo


É importante saber identificar um episódio desses, de forma a poder tomar as providências adequadas, rápida e eficazmente:

1. Incentivar a tosse

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Se a criança tosse eficazmente, não são necessárias outras manobras, incentive-a a tossir e vigie constantemente o seu estado de consciência. A tosse é o método mais eficaz de desimpedir a via aérea.

Se a tosse é, ou se está a tornar ineficaz, deve gritar por ajuda de imediato e avaliar o estado de consciência.

2. O bebé está consciente

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  1. Se estiver sozinho, grite por ajuda, tente durante dois minutos desengasgar o bebé e, só depois ligue o número 112 – número de emergência;
  2. Se estiver acompanhado peça para que alguém ligue para o 112 e que explique a situação, enquanto você tenta desengasgar o bebé simultaneamente.
  3. Verifique se o bebé consegue respirar:
    1. Se ouvir algum ruído respiratório é sinal que as vias aéreas não estão completamente fechadas, e que mesmo com dificuldade, ele consegue respirar espontaneamente;
    2. Não tente retirar eventuais objetos/alimentos com as mãos, a menos que o consiga visualizar ao abrir a boca da criança, porque existe o risco de fazer com que ele entre ainda mais profundamente na garganta;
    3. Caso a criança não consiga chorar, tossir ou emitir qualquer tipo de situação, a situação é extremamente grave, uma vez que significa que a via aérea está completamente obstruída.
  4. Faça as seguintes manobras quando um bebé se engasga:
    1. Pegue no seu bebé em decúbito ventral (cara voltada para o chão), inclinado para a frente, com a cabeça mais baixa que o tronco, apoiando com uma mão a cabeça e com o braço respetivo, o tórax;
    2. Cuidado para não pressionar, com a sua mão, os tecidos moles debaixo da mandibula para não aumentar a obstrução da via aérea;
    3. Posteriormente, dê-lhe até 5 pancadas interescapulares (pancadas nas costas) secas, entre as duas omoplatas, com a base da mão, com uma força adequada a um bebé;
    4. Após as pancadas interescapulares, se não conseguir deslocar o objeto e remover o corpo estranho, e:
      1. O lactente (bebé até 1 ano de idade) continua consciente, passe à aplicação de compressões torácicas. Vire o lactente em bloco para a posição decúbito dorsal (barriga para cima), e com 2 dedos, aplique uma força suficiente sobre o tórax (comprima o centro do peito, logo abaixo da linha entre os mamilos), e faça até 5 compressões lentas.
      2. Caso a vítima seja uma criança (idade superior a 1 ano), em vez das compressões torácicas, devem ser aplicadas compressões abdominais, ou a famosa Manobra de Heimlich, até 5 tentativas.
    5. Após as 5 compressões torácicas ou abdominais verifique sempre se houve saída do corpo estranho ou inspecione a cavidade oral, removendo algum objeto apenas se for visível;
    6. Repita a sequência de 5 pancadas interescapulares / 5 compressões torácicas ou abdominais até a obstrução ser resolvida, a vítima ficar inconsciente ou até à chegada da ajuda diferenciada.

No caso de ocorrer a expulsão de um corpo estranho e a obstrução for resolvida, continue a avaliar o estado da vítima, pois parte do corpo estranho pode ainda permanecer no trato respiratório. Se existir qualquer dúvida deve procurar ajuda médica.

3. O bebé está inconsciente

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  1. Se o lactente entretanto ficar inconsciente, o reanimador deve coloca-lo sobre uma superfície plana e dura, e gritar por ajuda;
  2. Se estiver sozinho, não deve abandonar a vítima neste momento, mas antes iniciar manobras de suporte básico de vida (SBV), durante um minuto e só depois ligar 112. Se houver uma segunda pessoa esta deve ligar de imediato para o 112.
    Verifique a existência de algum corpo estranho na boca e se for visível remova-o;
  3. Efetue 5 insuflações com ar exalado;
  4. Se as 5 insuflações não forem eficazes (se não houve resposta: movimento, tosse, respiração espontânea) prossiga com as compressões torácicas;
  5. Após cada 15 compressões, o reanimador deve permeabilizar a via aérea e pesquisar a cavidade oral antes de tentar efetuar as 2 insuflações;
  6. Ao fim de 1 minuto (5 ciclos de 15:2), se ainda estiver sozinho, pare e ative o sistema de emergência médica, ligando 112.
  7. Em seguida, reinicie as manobras de SBV.

Se a criança recuperar a consciência e a sua respiração se tornar eficaz, deverá ser colocada de lado, e ser vigiada e reavaliada até à chegada da ajuda diferenciada.

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.

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