Como apresentar um novo companheiro aos filhos? 9 dicas úteis!

Cerca de um em cada dois casamentos termina em divórcio e são cada vez mais as famílias reconstruídas. Mas como apresentar um novo companheiro aos filhos?

Como apresentar um novo companheiro aos filhos? 9 dicas úteis!
Um divórcio determina mudanças importantes no dia-a-dia de uma criança

O crescente número de divórcios nas últimas décadas tem vindo a implicar grandes mudanças ao nível da estrutura familiar e dos papéis e relações entre os membros da família. Diferentes configurações familiares surgem e é importante que pais e filhos se adaptem a elas. Muito pais têm dificuldades e não sabem como apresentar um novo companheiro aos filhos.

Tomar a decisão de apresentar um novo companheiro aos filhos não é tarefa fácil e são muitos os pais que temem que os seus filhos não o compreendam, se sintam desprezados ou que não saibam de que forma aceitar e integrar esta nova pessoa nas suas vidas.

O divórcio e as crianças


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Antes de mais, importa referir que o divórcio dos pais, apesar de constituir uma situação de crise, não provoca necessariamente perturbações nos filhos, no entanto, determina sempre mudanças importantes no dia-a-dia da criança, podendo ser fonte de insegurança e fragilidades várias.

Mais ainda, os sentimentos e emoções manifestados pelas crianças nas situações de divórcio podem ser muito díspares, nomeadamente: sentimentos de perda; insegurança; revolta; agressividade; culpa; desejo de recuperar a união familiar.

Assim sendo, o impacto e as consequências negativas que podem advir do divórcio dos pais (por exemplo, menor bem-estar, baixo rendimento escolar, problemas emocionais) estão dependentes de vários fatores, tais como:

1. Idade da criança

As crianças mais pequenas, apesar de poderem ter maiores dificuldades em compreender esta alteração na vida familiar não deixam de sentir de forma intensa a tensão e os conflitos vividos pelos pais.

As reações das crianças a estas tensões e conflitos podem ser várias, desde comportamentos de oposição e agressividade, a atitudes regressivas (por exemplo, voltando a fazer xixi na cama) ou até medos e pesadelos.

As crianças mais velhas, apesar de compreenderem melhor toda a situação, não deixam de reagir à alteração familiar, muitas vezes com tristeza, culpa e diminuição do rendimento escolar.

2. Forma como decorre o divórcio

Quanto maiores os conflitos e as pressões mais graves serão as consequências negativas sentidas pelas crianças. É importante que os pais dialoguem civilizadamente entre si, não prolonguem estados indefinidos (por exemplo, pais separados mas a viver na mesma casa) e tentem gerir este momento de crise da melhor forma possível, dando sempre prioridade ao bem-estar das crianças envolvidas.

Os estudos mostram que quando os pais garantem o cumprimento destas 3 condições essenciais, o impacto negativo do divórcio nas crianças é menor:

  • Os pais são capazes de resolver as suas diferenças sem conflitos;
  • Há partilhas financeiras relativamente à educação da criança, evitando dificuldades económicas;
  • As crianças mantêm contacto com ambos os pais.

3. Significado que a criança atribui ao divórcio

A forma como a criança compreende o divórcio dos pais e o significado que lhe atribui são fatores decisivos. Crianças que encaram o divórcio como culpa sua ou crianças que se sentem excessivamente revoltadas ou assustadas, podem ver o seu bem-estar emocional comprometido.

4. Apoio recebido pela criança

É importante que as crianças recebam apoio de ambos os pais e de outras figuras significativas (avós; amigos; professores). Se a criança não receber o apoio necessário, pode sentir-se privada de amor e sofrer sequelas ao nível da sua autoestima.

5. Estado psicológico da criança prévio ao divórcio

O estado de saúde mental e a capacidade de adaptação que as crianças apresentam previamente ao divórcio dos pais é determinante. Crianças mais frágeis correm maiores riscos de descompensar perante a experiência difícil do divórcio dos pais.

6. Reconstrução familiar

A forma como decorrem as reconstruções familiares, nomeadamente os novos relacionamentos dos progenitores, contribuem para um maior ou menor impacto negativo nas crianças. É importante que estas reconstruções decorram de forma harmoniosa e que os pais encontrem a melhor forma de apresentar um novo companheiro aos filhos.

Como apresentar um novo companheiro aos filhos? 9 dicas úteis!


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As famílias reconstruídas podem encontrar alguns desafios, nomeadamente devido à multiplicidade de laços afetivos que podem estar envolvidos. Felizmente, quando todas as transições decorrem de forma equilibrada, não tem porque haver problemas.

Apresentar um novo companheiro aos filhos é um dos desafios que mais dúvidas e angústias causa nos pais, no entanto, há algumas dicas que podem ajudar:

1 – A introdução de um novo membro deve levar o seu tempo: antes de apresentar um novo companheiro aos filhos importa falar com eles sobre a possibilidade de formar uma nova família, ressalvando sempre que em nenhum caso tal alteração significa que o afeto e amor para com eles se vá alterar.

2 – A introdução do novo elemento deve ser feita de forma tranquila e em pequenas doses: é importante que as crianças sejam incluídas na decisão de acolher um novo membro na família.

3 – Comunicar, comunicar, comunicar: nem o divórcio nem os novos relacionamentos dos pais foram escolha dos filhos, no entanto, estas alterações familiares devem ser partilhadas e comunicadas, tendo sempre como prioridade máxima o bem-estar das crianças. Os pais devem estar disponíveis e dedicar tempo a ouvir as questões e as preocupações das crianças, não as deixando à margem das decisões.

4 – Garantir às crianças que os pais continuarão sempre a ser os pais delas e que gostarão e cuidarão sempre delas, independentemente dos novos relacionamentos que possam surgir.

5 – Nunca fazer chantagem emocional nem utilizar as crianças para magoar o outro progenitor: o novo companheiro nunca deve ser apresentado como sendo o novo pai ou a nova mãe.

6 – Na hora de apresentar um novo companheiro aos filhos, os pais podem garantir que esse contacto acontece durante a realização de uma atividade que seja gratificante para as crianças.

7 – O novo companheiro deve demonstrar interesse genuíno pelas atividades das crianças, evitando compará-las com outras crianças.

8. – Aceitar reações menos boas por parte das crianças: é natural e comum que algumas crianças expressem ciúme e rejeição face à entrada de uma nova pessoa nas suas vidas. Os pais não devem ter pressa e devem permitir que as crianças se habituem à ideia.

9 – Continuar a reservar tempo exclusivo com as crianças: garantir que as crianças sabem que terão sempre oportunidade de desfrutar desse tempo de qualidade.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!