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Ansiedade no regresso às aulas: como lidar com a insegurança

A ansiedade no regresso às aulas faz-se acompanhar de um misto de emoções. É sobretudo um momento de crescimento para filhos e pais e falhar faz parte.

 
Ansiedade no regresso às aulas: como lidar com a insegurança
Apesar do medo e insegurança pode e deve ser uma etapa natural e funcional

Começou mais um ano letivo, para uns mais um ano, para outros o início de uma etapa importante. A ansiedade no regresso às aulas é um fenómeno comum e natural em filhos/alunos e pais.

Para quem inicia esta nova etapa, o confronto com as regras, a autoridade e a solidão (por exemplo, caso haja uma saída de casa) podem ser bastante angustiantes.

Para alguns autores é a própria situação de aprendizagem que desencadeia medos que perturbam a organização intelectual. Reconhecer os pensamentos que desencadeiam a ansiedade e aceitá-los são condições favoráveis para uma aprendizagem eficaz (1).

Ansiedade normal vs ansiedade patológica (disfuncional)


ansiedade no regresso as aulas rapariga com ansiedade

A ansiedade é uma reação normal e funcional na vida do ser humano que nos permite preparar para a luta ou fuga (2). Todos nós em algum momento das nossas vidas sentimos ansiedade, seja perante um exame, entrevista ou quando necessitamos de tomar uma decisão importante (3).

As respostas mais prevalentes a esta condição podem surgir perante fatores cognitivos como apreensão pelo desconhecido ou fisiológicos como postura tensa, expressão facial cansada, dores de cabeça e problemas de estômago; comportamentais, como a fuga da situação temida, afetivos e neurológicos desencadeada pela resposta que indivíduo faz de determinada situação e o comportamento que tem diante da mesma (4).

No fundo, a ansiedade é uma resposta do indivíduo desencadeada por uma avaliação cognitiva de ameaça face a um determinado acontecimento, considerado relevante para o mesmo. Tal como os estudos referem: “a ansiedade é uma sensação subjetiva de inquietação, pavor ou apreensão e pode variar de acordo com o perigo percebido” (5).

Ansiedade no regresso às aulas: sintomas e dicas para ultrapassar


ansiedade no regresso as aulas adolescente nas aulas

Terminadas as férias, setembro dá entrada a um novo ciclo que se faz acompanhar de um misto de emoções: “ansiedade de regresso às aulas”. É sobretudo um momento de crescimento para filhos e pais e falhar faz parte. Motivar, educar, transmitir segurança são imperativos nesta fase.

As crenças de autoeficácia (pessoais), determinam o nível de ansiedade bem como, o desempenho nas atividades do indivíduo, ou seja, quanto mais confia na sua capacidade para completar uma determinada tarefa ou resolver um problema, melhor saberá lidar com a sua ansiedade (6).

Transpondo esta situação para o meio escolar em que o estudante está constantemente em avaliação, ou tem de mostrar o seu empenho, é natural que esta se possa exacerbar. E dependendo dos recursos que cada indivíduo tenha face às exigências do meio, a ansiedade de regresso às aulas poderá ser considerada funcional ou pelo contrário, se prolongada, interferindo com o funcionamento do indivíduo, menos funcional (3,7).

A ansiedade de regresso às aulas, como o próprio nome indica, poderá ser prévia e/ou no decorrer do ano letivo. Em ambos, o que está em causa, é o significado que cada um dá à experiência, isto é, face a uma situação que o indivíduo saiba que vai ser avaliado, idealiza na sua mente uma situação de pressão, que vai gerar tensão e fazer com que o indivíduo desenvolva sintomatologia ansiosa.

Um estudo recente concluiu que quando temos uma ansiedade moderada e grave o desempenho académico tende a diminuir. Mas este estudo conclui ainda que embora a ansiedade quando exacerbada possa ser prejudicial, existe um nível entre a ausência/mínima de ansiedade e a ansiedade moderada e grave, onde o desempenho académico vai ser melhor considerando-se funcional (4).

Sinais de alerta para alunos e pais indicativos de dificuldades

  • Inquietação;
  • Fadiga;
  • Dificuldade em concentrar-se ou sensações de “branco” na mente;
  • Irritabilidade;
  • Tristeza;
  • Tensão muscular;
  • Dificuldades de sono;
  • Ansiedade e preocupação excessivas (expectativa apreensiva) acerca de diversos eventos ou atividades como: responsabilidades nos trabalhos;
  • As crianças/adolescentes tendem a preocupar-se excessivamente com a sua competência ou a qualidade de seu desempenho (8).

5 dicas para lidar com a ansiedade de regresso às aulas 

ansiedade no regresso as aulas rapariga a estudar

  • Organize-se: prepare livros, cadernos, canetas; se estiver a iniciar prepare o material de acordo com a lista de material pedida;
  • Conheça-se a si mesmo: crie hábitos de estudo (em que ambientes estudo melhor (sozinho, acompanhado, em silêncio (…)? e a que horas do dia? (…));
  • Tire apontamentos no decorrer das aulas: com isso ganha tempo, atenção, conhecimento;
  • Quando der conta que está a ter vários pensamentos negativos e que causam ansiedade, pare e não deixe a ansiedade controlar a sua capacidade de fazer seja o que for e pergunte-se da utilidade dos mesmos nesse momento para resolver “o problema”;
  • Experimente respirar fundo sempre que se sentir mais ansioso (9).

5 dicas para os pais: é possível sobreviver

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  • Promova rotinas: sentido de organização, planificação e autonomia (preparar a mochila, cuidar do material de estudo, preparar a lancheira, entre outros), estas convertem-se num padrão identitário e distintivo da família;
  • Muito importante: transmita segurança, motive, falhar faz parte;
  • Defina regras de estudo e de brincadeira;
  • Promova um ambiente de comunicação: com os olhos, os gestos, os sons e palavras e de partilha estimulando a presença de todos os elementos da família;
  • Não transmita a sua ansiedade/insegurança para o seu filho.

A determinação primária de quando o medo ou a ansiedade são excessivos ou desproporcionais é feita pelo clínico, tendo em conta fatores contextuais culturais, afetivos e emocionais. Estas são algumas orientações, contudo, em determinados casos ou situações, é necessário um acompanhamento profissional e individualizado.

Veja também:

Fontes

1. Boimare, S. (2001). A criança e o medo de aprender. Edição Climepsi.
2. Mental Health Foundation. (2014). Are tou anxiety aware. A guide to living with anxiety. Disponível em: 
https://www.mentalhealth.org.uk/publications/are-you-anxiety-aware-booklet 
3. Gomes, R., Vilela, C. (2015). Ansiedade, Avaliação Cognitiva e Esgotamento na Formação Desportiva: Estudo com Jovens Atletas. Disponível em:
https://revistas.rcaap.pt/motricidade/article/view/4214/6475
4. Lopes, J. et al. (2019). Ansiedade versus Desempenho Académico: uma análise entre estudantes universitários. Cadernos de Pós Graduação. Disponível em: 
https://periodicos.set.edu.br/index.php/fitsbiosaude/article/view/6151/3338
5. Guimarães, M. F. (2014). Depressão, ansiedade, estresse e qualidade de vida de estudantes de universidades pública e privada (Dissertação de Mestrado em Psicologia). Disponível em: 
http://tede.metodista.br/jspui/handle/tede/1348
6. Loricchio, T. M. B. et al. (2012). Estresse, ansiedade, crenças de autoeficácia e o desempenho. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712012000100005

7. Miranda, G. J. et al. (2017). Ansiedade e desempenho académico: um estudo com alunos de ciências contábeis. Disponível em: 
http://congressousp.fipecafi.org/anais/AnaisCongresso2017/ArtigosDownload/122.pdf
8. American Psychiatric Association (2014). DSM-5: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Disponível em:
https://www.nice.org.uk/guidance/cg113
9. National Institute for Health and Care Excellence. (2011). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. Disponível em: 
https://www.nice.org.uk/guidance/cg113 

Psicóloga Carolina Pinheiro Psicóloga Carolina Pinheiro

Psicóloga Clínica, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos (CP n.º 22212). Licenciada em Psicologia e Saúde Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto Universitário Ciências da Saúde. Formada em Hipnose Clínica e Programação Neurolinguística com especialização avançada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica da Infância à Idade Adulta pelo Instituto CRIAP. Exerce atividade em contexto Universitário no Instituto Universitário Ciências da Saúde, em contexto Hospitalar, no Hospital da Luz e em clínica privada.

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