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Anestesia para tosquiar o cão: uma opção quando o animal fica em stress?

A anestesia para tosquiar o cão pode ser uma opção em alguns casos, sempre sob recomendação do médico veterinário. Saiba mais sobre o assunto e conheça os riscos associados.

 
Anestesia para tosquiar o cão: uma opção quando o animal fica em stress?
O seu cão porta-se bem ao ser tosquiado?

Tosquiar o cão pode ser necessário em determinadas situações, ou simplesmente por uma questão estética. No entanto, nem todos os cães permitem uma tosquia, e por vezes pode mesmo tornar-se uma tarefa impossível, pois podem ficar assustados, morder, mexer-se magoando-se a si próprios e aos outros. Nessas situações pode ser aceitável utilizar a anestesia para tosquiar o cão.

Situações em que pode ser recomendável a anestesia para tosquiar o cão


anestesia para tosquiar cão

A anestesia tem sempre alguns riscos associados, e dependendo de algumas condições do animal os riscos podem ser maiores ou menores. Assim, é necessário ponderar muito bem a utilização de anestesia para tosquiar o cão, e considerar quais as situações em que é mesmo necessário.

Algumas situações em que é mesmo necessário anestesia para tosquiar o cão:

  • Quando o cão é agressivo, pois a segurança de quem o vai tosquiar não deve ser colocada em causa;
  • Se o cão é demasiado agitado, e mesmo com várias pessoas a segurar, se tenta esquivar e fugir, pois desta forma, é provável que o cão se possa magoar com as lâminas de tosquia e até durante a própria contenção;
  • Quando tem problemas cardíacos e é muito nervoso, apesar de ser uma anestesia com maior grau de risco do que um cão saudável, por vezes, pode ser preferível manter o cão ais tranquilo e a dormir do que provocar-lhe stress, o que pode desencadear um ataque;
  • Quando o cão tem algum problema que lhe provoque grande dor durante a manipulação ou tosquia, como por exemplo dores articulares graves ou em casos que os animais têm o pelo muito embaraçado com muitos nós, agarrados à pele. Há cães que podem também ter feridas por debaixo dos aglomerados de pelo, o que provocada ainda mais dor.

Estes são apenas alguns exemplos de situações em que pode ser necessário anestesia para tosquiar o cão. Porém, cada caso é um caso, e o caso de seu animal em específico deve ser sempre discutido com a tosquiadora e com o médico veterinário assistente.

Anestesia para tosquiar o cão: riscos associados


anestesia para tosquiar o cão

Existem vários tipos de anestesia e protocolos anestésicos, no entanto, em qualquer tipo de anestesia existem riscos associados, uma vez que os medicamentos anestésicos deprimem o sistema nervoso central.

As complicações mais comuns em anestesia gerais são:

  • Arritmias;
  • Alterações na pressão arterial;
  • Paragem respiratória;
  • Alterações na oxigenação;
  • Paragem cardíaca;
  • Hipotermia, descida da temperatura corporal abaixo da temperatura corporal normal (entre 38 a 39ºC, com variações de 0,5ºC).

O risco associado à anestesia depende de vários fatores, sendo que é possível classificar o grau de risco de acordo com algumas caraterísticas físicas do animal (Escala de risco ASA).

Para classificar o risco anestésico do animal, o seu médico veterinário pode aconselhar a realização de um check-up, incluindo exames sanguíneos como hemograma e provas bioquímicas para verificar a função renal e hepática.

Só assim, consegue avaliar o risco anestésico, escolher o melhor protocolo anestésico para o seu cão, e aconselhar os tutores a se a anestesia para tosquiar o cão é uma opção, uma vez que em casos de risco anestésico elevado, uma vez que não se trata de um procedimento urgente que coloque em risco a vida do animal, a anestesia para tosquiar o cão pode nem sequer ser uma hipótese.

Anestesia para tosquiar o cão: como é feito o procedimento e cuidados a ter?


anestesia para tosquiar cão

A anestesia para tosquiar o cão é sempre realizada por um médico veterinário, não podendo em nenhuma circunstância ser um procedimento realizado por um auxiliar ou enfermeiro, daí que seja necessário que uma tosquia com sedação seja realizada numa clínica veterinária, ou então num espaço em que exista um médico veterinário responsável.

É necessário que o animal faça um jejum de água e de comida por algumas horas, antes da anestesia. O período de jejum pode ser variável e deve questionar o seu médico veterinário acerca do período em que o seu animal deve ficar sem beber agua nem comer. Isto é extremamente importante para que a anestesia corra bem, pois existe risco de o seu animal, quando anestesiado, vomitar e poder fazer uma pneumonia por aspiração.

Depois do animal chegar à clínica, o médico veterinário irá administrar os anestésicos, conforme o plano anestésico que considerou mais adequado, no entanto, normalmente, envolve sempre administração de medicamentos injetáveis, na veia ou no músculo.

Em casos graves de agressividade, o seu médico veterinário pode recomendar a administração prévia de comprimidos tranquilizantes, de forma a deixar o cão mais vulnerável aos procedimentos que advêm.

Tendo em consideração todos os fatores, se o seu animal não pode fazer uma tosquia sem estar sedado, avalie todas as possibilidades e compreenda se a tosquia é mesmo essencial para o bem-estar do seu animal, pois qualquer anestesia tem riscos associados, e a quantas mais anestesias o seu cão for submetido maior risco existe e mais complicações de saúde podem vir a surgir. Conte sempre com a opinião do seu medico veterinário.

Veja também:

Fontes

American Society of Anesthesiologists (ASA). Physical Status Scale. Disponível em: https://avtaa-vts.org/asa-ratings.pml
JML Hughes. Anaesthesia for the geriatric dog and cat. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3113863/

Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.

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