Alternativas não hormonais à Pílula: quais as hipóteses?

A pílula é o método contracetivo mais utilizado mas, não se ajusta às necessidades individuais de todas as pessoas. Existem alternativas não hormonais à pílula.

Alternativas não hormonais à Pílula: quais as hipóteses?
Quer parar de tomar a pílula? Conheça os métodos contracetivos não hormonais.

A pílula anticoncecional costuma ser a primeira escolha para muitas pessoas. Cada vez mais esta tendência tem vindo a ser invertida pela procura de alternativas não hormonais à pílula, sendo explicado pela procura de um estilo de vida mais natural e também pelo aumento do autoconhecimento feminino.

De qualquer modo, a mulher deve estar informada sobre as opões contracetivas disponíveis, para poder tomar uma decisão informada acerca do método que melhor se adapta às suas necessidades.

QUAIS OS RISCOS E EFEITOS ADVERSOS DOS CONTRACETIVOS HORMONAIS?


pilula contracetiva

Os contracetivos orais combinados (vulgar pílula) comercializados atualmente contêm doses reduzidas de hormonas, pelo que podem ser utilizados pela generalidade das mulheres, desde a adolescência até a menopausa.

Este método apresenta inúmeras vantagens, nomeadamente:

  • Tem elevada eficácia contracetiva;
  • Não interfere com a relação sexual;
  • Regulariza os ciclos menstruais;
  • Melhora a tensão pré-menstrual e a dismenorreia;
  • Contribui para a prevenção de: Gravidez ectópica, Cancro do ovário e do endométrio, Quistos funcionais do ovário e Doença fibroquística da mama.

No entanto também apresenta desvantagens e contraindicações, tais como:

  • Exige o empenho da mulher para a toma diária da pílula;
  • Não protege contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis, nomeadamente SIDA e Hepatite B;
  • Pode afetar a quantidade e a qualidade do leite materno quando usado durante a amamentação.

Contra-indicações absolutas:

  • Gravidez atual ou suspeita de gravidez;
  • Neoplasia hormono-dependente;
  • Alterações graves da função hepática (do fígado);
  • Antecedentes de AVC, doença arterial cerebral ou coronária (Ex.: Hipertensão grave > 160/100mmHg, diabetes complicada);
  • Antecedentes de trombose venosa profunda e doença predispondo a acidente tromboembólico;
  • Fumadora – mais 15-20 cigarros/dia e mais de 35 anos.

Contraindicações relativas:

  • Diabetes mellitus;
  • Hipertensão arterial;
  • Lúpus Eritematoso Disseminado;
  • Tabagismo (mais de 15 -20 cigarros/dia) em idade superior a 35 anos;
  • Hiperlipidémia (níveis elevados de colesterol e triglicerídeos);
  • Depressão grave;
  • Síndroma de má absorção;
  • Cefaleia grave, tipo enxaqueca.

Nestes casos, devem ser procuradas alternativas não hormonais à pílula.

QUAIS AS ALTERNATIVAS NÃO HORMONAIS À PÍLULA?


DIU com cobre

DIU em cobre

Este Dispositivo Intra-Uterino contém cobre em quantidade muito reduzida. É uma forma de contraceção de longa duração (cerca de 5 anos), muito eficaz e reversível. O DIU contém cobre, razão pela qual se desencadeia uma resposta inflamatória que impede a entrada dos espermatozoides no útero, e altera o endométrio (parede do útero), impedindo a fixação do ovo.

A colocação (e remoção) é feita por um médico, durante um exame ginecológico. É um procedimento simples e indolor, pelo que não é necessário anestesia.

Esterilização cirúrgica

ginecologista

1. Laqueação de trompas (Mulheres)

– Indicações –

  • Opção por um método definitivo, de acordo com a lei (mais de 25 anos);
  • Contra-indicação médica para a gravidez/maternidade.

– Vantagens –

  • Contraceção segura, eficaz e definitiva;
  • Não interfere na amamentação;
  • Não interfere com a libido;
  • Procedimento rápido e com rápida recuperação.

– Desvantagens –

  • Risco cirúrgico/anestésico (menor na via histeroscópica);
  • Não protege contra Infeções Sexualmente Transmissíveis.

2. Vasectomia (Homens)

Indicado para quando se pretende optar por um método definitivo, com elevada eficácia, com uma incidência muito reduzida de complicações. Trata-se de um procedimento cirúrgico rápido que exige apenas anestesia local, realizada em regime ambulatório.

À semelhança da laqueação das trompas, não protege contra doenças sexualmente transmissíveis.

Métodos de barreira

preservativo masculino

1. Mecânicos

O preservativo masculino apresenta como vantagens a acessibilidade, facilidade de uso e proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. Este deve ser colocado corretamente antes da relação sexual, não é reutilizável e após relação sexual deve-se garantir que não ocorreu rutura ou deslocação.

Apresenta, no entanto, como desvantagens:

  • Irritabilidade local/alergia;
  • Interferência com o ato sexual;
  • Eficácia variável, geralmente reduzida.

Químicos

Os espermicidas são as alternativas não hormonais à pílula com eficácia mais baixa.

É uma substância que se aplica na vagina e diminui a capacidade de fecundação dos espermatozoides. Pode ser apresentado sob forma de creme, espuma, esponja, gel, membrana, cones ou comprimidos vaginais. Tem uma taxa prevista de 6% a 26% de falhas durante o primeiro ano de utilização. A eficácia depende da utilização correta e sistemática.

Aconselha-se o seu uso como coadjuvante de outros métodos contracetivos. Não tem efeitos sistémicos, é de utilização fácil e não necessita de supervisão clínica. Pode aumentar a lubrificação vaginal.

Por outro lado, tem baixa eficácia e pode provocar reações alérgicas ou irritativas na mulher ou no homem.

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Farmacêutica Cátia Rocha Farmacêutica Cátia Rocha

Cátia Rocha é farmacêutica. Como apaixonada pela profissão, acredita na importância da educação para a saúde e num papel interventivo dos profissionais de modo a transmitir conhecimentos que considera importantes e fundamentais para o bem-estar da população. É Mestre em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte e exerce atualmente o cargo de farmacêutica na Farmácia Agra.