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Alimentos tóxicos para cães: saiba quais são e evite-os

Na alimentação para humanos há alimentos tóxicos para cães. Estes devem ser conhecidos, principalmente por quem tem os cães dentro de casa ou com acesso à cozinha, de forma a não correr riscos. Alimentos inofensivos para os humanos podem causar grandes distúrbios nos cães, pelo que convém saber quais são e como identificar.

Alimentos tóxicos para cães: saiba quais são e evite-os
Saiba o que não dar a comer ao seu cão.

Os cães não estão feitos para comer a mesma dieta que os humanos, e um dos motivos para tal é por existirem alimentos tóxicos para cães na nossa alimentação.

Em casas onde os cães tenham livre acesso à cozinha ou em situações onde há um membro da família que goste de ir dando petiscos aos animais por debaixo da mesa, convém saber quais os alimentos proibidos!

O que fazer se o seu cão ingerir um alimento tóxico


alimentos toxicos para caes e cao no veterinario

Os alimentos tóxicos para cães são alimentos que, por exporem o animal a uma substância química que é tóxica para este, provocam-lhe um estado de doença.

No caso de um proprietário suspeitar que o seu cão ingeriu algum destes alimentos, o melhor a fazer é telefonar de imediato para o médico veterinário a reportar a situação para saber se há algo que pode fazer no imediato, e levá-lo à clínica o quanto antes. Quando houver dúvidas sobre se certa substância é ou não tóxica, o ideal é contactar sempre.

Alimentos tóxicos para cães: alguns exemplos


1. Chocolate (e derivados da cafeína)

quadrados de chocolate

A toxicose por chocolate está bem descrita e baseia-se em duas substâncias da família das metilxantinas presentes na semente do cacau: a teobromina e a cafeína. Estas têm um alto poder estimulante no sistema nervoso central, e quanto mais escuro o chocolate maior a sua concentração.

A sensibilidade às metilxantinas varia consoante o animal, mas geralmente os sinais estão presentes acima de 20mg/kg de peso corporal. Os sinais clínicos usualmente ocorrem 6-12h após a ingestão e incluem:

  • Ingestão de água aumentada/sede
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Distensão abdominal
  • Hiperatividade
  • Rigidez muscular, tremores e convulsões
  • Coma

Estes sinais derivam de alterações no sistema nervoso central e de lesões no músculo esquelético e cardíaco, e a morte pode ocorrer devido às arritmias cardíacas, aumento de temperatura ou falência respiratória.

O tratamento passa por tentar estabilizar as alterações cardíacas e neurológicas quando a toxicose já vai avançada ou então, no caso de ser detetada a ingestão antes de os sinais surgirem, através da descontaminação e a monitorização intensiva.

2. Uvas e passas

uvas e uvas passas

Existem casos reportados de intoxicação por ingestão de uvas e passas, no entanto o mecanismo desta não está totalmente esclarecido. Há cães que podem ingerir este fruto sem apresentar alterações enquanto que há casos de outros que desenvolvem toxicose com a ingestão de apenas 5 uvas.

A maioria desenvolve vómitos e diarreia 6-12 h após a ingestão, evoluindo para apatia, desidratação, sede e tremores. 24 a 72h após a exposição pode ocorrer falência renal, causa principal da morte ou eutanásia destes cães.

Assim que a ingestão é detetada, o animal deve ser levado ao médico veterinário para uma descontaminação e administração de soro. Por não haver forma de determinar se um cão é ou não suscetível à intoxicação, o ideal é nunca permitir que eles comam uvas ou passas, pois o prognóstico é reservado.

3. Xilitol

cubos de gelatina

O xilitol é um adoçante natural presente em produtos ditos livres de açúcar como as pastilhas elásticas, suplementos alimentares, snacks de pudim e gelatinas, assim como em pastas de dentes e desinfetantes orais.

Em cães, a ingestão de pequenas quantidades pode causar uma descida abrupta do açúcar presente no sangue (hipoglicémia) em apenas 30 minutos por aumentar a libertação de insulina, e quantidades maiores de xilitol provocam lesões no fígado.

Os sinais clínicos são vómitos, fraqueza, depressão, mucosas amareladas (icterícia), convulsões e eventualmente coma. Como é uma intoxicação de progressão rápida, é essencial que o cão seja levado à clínica veterinária o quanto antes.

Dependendo do estado da situação, o tratamento pode incluir a indução do vómito, a administração de fluídos intravenosos com suplementação de açúcar e monitorização intensiva do fígado e do nível de açúcar do sangue. Em alguns casos, a morte ou a eutanásia são o desfecho final devido à falência do fígado.

4. Massa de pão

massa de pao

A massa de pão crua feita com fermento faz parte dos alimentos tóxicos para cães por causar complicações mecânicas e bioquímicas quando ingerida.

O ambiente quente e húmido do estômago favorece a fermentação do pão, resultando na dilatação e eventual torção do estômago, comprometendo a sua irrigação e dificultando a capacidade respiratória do animal. Além disso, essa fermentação produz álcool que é absorvido e também causa alterações no metabolismo.

Assim, o cão apresentará tentativas improdutivas de vomitar, distensão abdominal, depressão, desorientação e descida da temperatura. Este é também um caso potencialmente fatal pelo que se deve atuar rapidamente.

O tratamento pode incluir lavagem ao estômago, remoção cirúrgica da massa fermentada e controlo da intoxicação por álcool.

5. Cebolas e alho

Cebolas e alho

A cebola, o alho, o cebolinho e o alho-porro contêm uma substância chamada tiossulfato que causa lesões nos glóbulos vermelhos, tornando mais provável a sua rutura, assim como alterações gastrointestinais.

Estes alimentos tóxicos para cães causam apatia, palidez das mucosas, intolerância ao exercício e também náuseas, vómitos e diarreias.

Uma das dificuldades na sua identificação é o facto de estes sinais só se manifestarem alguns dias após a ingestão. Estes cães necessitam de intervenção médica pois podem precisar de uma transfusão de sangue.

6. Nozes-macadâmia

Nozes-macadamia

A ingestão deste fruto por cães está associada a uma síndrome caracterizada por vómitos, fraqueza, depressão e hipertermia. O mecanismo de toxicidade é desconhecido, mas afeta a função nervosa, e os sinais iniciam-se cerca de 12h após a ingestão, sendo que a quantidade que despoleta estas reações ainda não está definida.

O tratamento passa pela remoção do conteúdo ingerido caso seja detetado antes das 12h, ou então por controlar os sinais clínicos. A maioria dos cães recupera sem grandes sequelas.

7. Abacate

abacate aberto ao meio

A substância tóxica do abacate é a persina, e esta é altamente problemática para certos mamíferos e aves. Os cães parecem ser relativamente resistentes quando comparados com outras espécies, no entanto há registos antigos de lesão cardíaca após a ingestão de abacate, pelo que o mais prudente é considerar como pertencente aos alimentos tóxicos para cães.

De referir que a sua toxicidade se estende às folhas, caules e sementes e não apenas ao fruto.

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Drª Rita Campilho Drª Rita Campilho

Rita Campilho é médica veterinária. Apesar de viver na cidade, sempre teve contacto com animais e desde cedo que percebeu a importância destes como parte integrante do ecossistema. Tornou-se médica veterinária no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e atualmente trabalha com cavalos, cães e gatos. Também com cães na família, acredita que é através da educação e do conhecimento sobre comportamento e saúde animal que se consegue o melhor para os animais e para quem vive com eles.

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