Alimentos congelados ou em conserva: qual o melhor para cada caso?

Alimentos congelados ou em conserva? Qual o melhor para cada caso? A resposta está na composição nutricional e no tempo de armazenamento de cada alimento.

Alimentos congelados ou em conserva: qual o melhor para cada caso?
Frescos, congelados ou em conserva: legumes, frutas, carne e peixe são alimentos que devem fazer parte do seu dia-a-dia.

Devido ao ritmo de vida acelerado do dia-a-dia da sociedade atual, nem sempre é possível comer peixe, carne, fruta, legumes, entre outros, na sua versão fresca, diariamente.

Como tal, uma das soluções mais utilizadas pela maioria das pessoas para evitar ir às compras diariamente é a opção por alimentos mais versáteis e que se conservem durante mais tempo. Neste contexto, surge, frequentemente, a dúvida: se consumir, deve optar por alimentos congelados ou em conserva.

Alimentos congelados ou em conserva?


Alimentos congelados ou em conserva tuppareware com legumes

Como referido anteriormente, a fruta, os legumes, a carne e o peixe são alimentos que consumimos diariamente e que, por variadas razões (perecibilidade, sazonalidade, reduzido tempo de conservação à temperatura ambiente, entre outras), nem sempre os podemos consumir sempre na sua versão fresca.

Neste contexto, existem duas alternativas para estes alimentos que ajudam a solucionar o problema: a congelação e a conservação através de altas temperaturas (conservas e enlatados).

Além disso, mais do que a conservação, para muitas pessoas, os alimentos congelados ou em conserva representam conforto e poupança de tempo, por não ter de ir diariamente ao supermercado / fazer compras, redução do desperdício alimentar e a possibilidade de consumir determinados alimentos fora de época. Adicionalmente, alguns estão prontos a cozinhar ou, até mesmo, a comer.

Quando chegar a altura de optar por um método de conservação, deverá ter em conta o tempo de armazenamento pretendido e a composição nutricional do produto.

Ou seja, se for para consumir num curto a médio prazo, deve dar preferência aos congelados; caso seja para consumir a mais longo prazo deve optar pelos alimentos em conserva ou enlatados.

Relativamente à composição nutricional, muitas pessoas duvidam se os alimentos congelados ou em conserva preservam os nutrientes da versão fresca e se em termos organoléticos mantêm as suas propriedades.

1. Composição Nutricional

A composição nutricional de alimentos congelados é, por norma, similar à dos produtos frescos, desde que a técnica de congelação utilizada seja adequada. Isto porque, a técnica utilizada na congelação é muito importante para que não haja perdas nutricionais.

Deve, por isso, preferir comprar os alimentos já congelados (que formam cristais de congelação mais pequenos) em detrimento dos congelados de forma caseira (que formam cristais de congelação maiores).

Além disso, é sempre importante ressalvar que se o alimento fresco for congelado já com algum tempo de vida, algumas vitaminas, minerais e compostos antioxidantes podem sofrer uma perda, devido ao contacto com agentes agressores presentes no ambiente envolvente, nomeadamente a temperatura, humidade, contactos físicos, entre outros.

Isto é particularmente relevante para legumes e frutas, visto que são alimentos de maior densidade nutricional, cujos micronutrientes são facilmente perdidos.

Já os alimentos em conserva ou enlatados podem alterar significativamente a composição nutricional do alimento fresco, em particular se lhes forem adicionados açúcar, sal ou gordura, como forma de melhor conservação e sabor, ou se sofrerem um tratamento a temperaturas e pressões muito elevadas (enlatados).

Deverá, por isso, escorrer o líquido que cobre o alimento, de modo a eliminar grande parte destes aditivos que lhe são adicionados.

No entanto, existem exceções, como é o caso do tomate em conserva, que por ser sujeito a temperaturas elevadas, liberta licopeno, um carotenoide com importante função antioxidante, aumentando o seu valor nutricional.

2. Características Organoléticas

Relativamente a características organoléticas, em particular o sabor e a consistência, os alimentos congelados, em particular a fruta e os legumes, podem perder algum sabor e textura original quando comparados com a versão fresca, devido ao impacto dos cristais de congelação na estrutura das membranas celulares destes alimentos.

Já os alimentos em conserva, como por norma sofrem a adição de açúcar, sal ou gordura, podem melhorar consideravelmente as suas características organoléticas face à versão fresca.

3. Segurança alimentar

A segurança alimentar é uma das maiores vantagens dos alimentos congelados ou em conserva, visto que existe uma menor probabilidade de se criarem agentes patogénicos e bactérias devido às temperaturas extremas utilizadas em ambos os métodos, uma condição adversa para a multiplicação de microorganismos.

Na verdade, podem até ser mais seguros do que alguns produtos frescos quando guardados no frigorífico.

No entanto, importa referir que a forma de descongelação dos alimentos congelados é fundamental para garantir esta segurança.

No caso dos alimentos crus, deve retirá-los do congelador na véspera de serem consumidos e deixá-los descongelar naturalmente no frigorífico. Evite deixá-los à temperatura ambiente devido à potencial contaminação e / ou proliferação de microorganismos.

Além disso, é importante ter em conta que, uma vez congelado ou descongelado, o alimento não deve voltar a ser submetido a grandes variações de temperatura (como voltar a ser congelado depois de descongelado ou cozinhado, por exemplo), sob pena de perder qualidades nutricionais e organoléticas e comprometer a sua segurança em termos microbiológicos.

No caso dos alimentos em conserva, não há questões relevantes a assinalar, visto que, por norma, são alimentos já cozinhados e prontos a comer.

No entanto, e em particular no caso de alimentos enlatados, deve evitar mantê-los na lata depois de abertos, mesmo quando ficam no frigorífico, sob pena de oxidarem e absorverem metais pesados presentes na embalagem.

EM SUMA…


De uma forma geral, podemos dizer que, quando não for possível consumir os alimentos na versão fresca, os alimentos congelados ou em conserva constituem uma alternativa viável e segura para consumo diário.

Em particular, no caso dos congelados, não alteram significativamente a sua composição nutricional quando congelados de forma correta e na sua versão mais fresca e rica, sendo uma alternativa, na maioria dos casos, melhor do que os alimentos em conserva ou enlatados.

Para concluir, é importante referir que mais vale comer peixe, fruta, legumes ou leguminosas congelados ou em conserva do que não os consumir.

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Nutricionista Rita Lima Nutricionista Rita Lima

Rita Lima é nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2016 e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma faculdade. É membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas.

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