x

Alimentação vegan para cães: os riscos desta dieta no animal

A alimentação vegan para cães é uma moda recente que pode comprometer a saúde dos nossos patudos. Saiba mais sobre os riscos deste regime alimentar nos cães.

Powered by: Vetecare
Alimentação vegan para cães: os riscos desta dieta no animal
Podem os cães ser vegan?

Cada vez mais há pessoas que se tornam vegetarianas e veganas, por variadas razões, seja por razões ambientais ou por preocupação pelo bem-estar animal. Muitas vezes, o interesse por esse regime alimentar e pela proteção ambiental é tanto que faz com que os tutores de cães e gatos procurem também uma alimentação vegan para cães. No entanto, as necessidades nutricionais dos animais são diferentes dos das pessoas e este regime alimentar pode por em risco o desenvolvimento de vários problemas no animal.

Alimentação vegan para cães: contra natura?


Alimentação vegan para cães

Os cães são descendentes dos lobos e pertencem à ordem carnívora. Ainda assim, os cães sofreram uma evolução que levou a que algumas caraterísticas apresentadas hoje em dia sejam distintas dos seus ancestrais.

Os lobos ao começarem a ser domesticados foram-se adaptando a alimentar-se dos restos das populações humanas, de forma a conseguirem sobreviver. Desta forma, com o passar dos anos, o seu organismo começou a conseguir digerir e a conseguir absorver também nutrientes de frutas e vegetais.

Desta forma, apesar de partilharem muitas caraterísticas, os cães de hoje podem ser considerados omnívoros. No entanto, não significa que se possam alimentar apenas de vegetais sem necessidade de carne.

4 riscos da alimentação vegan para cães


Alimentação vegan para cães

1. Aumento do risco de sofrerem fraturas ósseas

Existem alguns nutrientes que os cães não conseguem produzir ou transformar e, por isso, necessitam de ser ingeridos na dieta, como é o caso da vitamina D. Os cães, ao contrário dos humanos, não conseguem sintetizar esta vitamina através da sua pele quando exposta ao sol, assim é essencial que ingiram esta vitamina.

Existem vários tipos de vitamina D, porém, os tipos de vitamina D que os cães e gatos conseguem absorver e utilizar em maior quantidade, apenas podem ser obtidas através de produtos animais.

A deficiência crónica em vitamina D pode causar problemas nos ossos e articulações e torna o animal mais suscetível a sofrer fraturas ósseas.

2. Maior probabilidade de desenvolvimento de cardiomiopatia dilatada

A cardiomiopatia dilata canina é uma doença cardíaca crónica que se carateriza por uma incapacidade de contração do músculo cardíaco, devido ao facto de o músculo cardíaco estar fino e enfraquecido. Assim, o coração vai cada vez ficar mais dilatado, sem conseguir contrair.

Existem raças mais predispostas a desenvolver este problema, nomeadamente as raças grandes e gigantes, no entanto existem outros fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença, como a alimentação.

Uma alimentação vegan para cães pode criar um desequilíbrio nos aminoácidos essenciais, como a taurina e L-carnitina. A falta destes aminoácidos pode ser um fator para que se desenvolva a cardiomiopatia dilatada.

3. Ingestão inadequada de proteínas

Os níveis de proteína na dieta de um cão variam consoante vários fatores, como a sua idade, nível de atividade física, no entanto a dieta de um cão adulto deve conter cerca de 15 a 30% de proteína.

A proteína está maioritariamente presente em produtos de origem animal, todavia existem também produtos de origem vegetal com grande quantidade de proteína. Por essa razão, é necessário é que os cães consigam digerir a proteína dos produtos vegetais e que as quantidades sejam adequadas às suas necessidades.

4. Propensão para desenvolvimento de cálculos urinários

Alguns tipos de cristais urinários podem desenvolver-se devido a vários fatores, entre os quais o pH da urina, sendo que uma urina alcalina favorece o seu aparecimento.

Uma alimentação à base de vegetais pode alcalinizar a urina e consequentemente tornar o animal mais suscetível ao aparecimento de problemas urinários, como formação de cristais.

Ainda que não hajam estudos suficientes que comprovem que a alimentação vegan para cães é uma causa de formação de cálculos urinários, é aconselhável testar regularmente o pH da urina do seu cão se este seguir esta dieta.

É possível fazer uma alimentação vegan para cães corretamente?


Alimentação vegan para cães

Ao contrário dos gatos, que são carnívoros estritos, os cães podem fazer uma alimentação vegan, desde que a sua dieta seja feita de uma forma equilibrada e garanta todas as necessidades nutricionais.

O ideal, caso pretenda uma alimentação vegan para cães é consultar um médico veterinário especialista em nutrição animal, e que sejam realizados exames regulares de forma a garantir que o seu cão está saudável. Com o plano de saúde animal da Vetecare consegue ter descontos em serviços de medicina veterinária e nutrição animal, com uma vasta equipa de profissionais disponível por todo o país. Saiba como aderir.

Se optar por uma alimentação vegan para cães, é também preferível optar por uma dieta comercial de qualidade, em vez de uma alimentação caseira, pois com esta última, é mais difícil de garantir as necessidades nutricionais do cão.

Por último, numa alimentação vegan para cães pode ser necessário o recurso a suplementos nutricionais para garantir que o seu cão não sofre com nenhuma carência que possa prejudicar a sua saúde.

Veja também:

Fontes

1. Lisa, M.; Freeman, DVM. PhD; Joshua, A.; Stern DVM. PhD; Ryan, F. DVM; Darcy, B. Adin, DVM; John, E.; Rush DVM, MS. Disponível em: https://avmajournals.avma.org/doi/full/10.2460/javma.253.11.1390
2. Knight, A.; Leitsberger, M. (2016). “Vegetarian versus meat-based diets for companion animals”. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-2615/6/9/57

Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.