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Alimentação para cães: conheça as necessidades nutricionais do seu cão

A alimentação para cães é bastante complexa e contém certas especificidades derivadas da sua natureza. Através de uma alimentação adequada e equilibrada é possível garantir um melhor estado de saúde e bem-estar para o cão, conferindo-lhe os nutrientes necessários para que este se possa desenvolver nas melhores condições.

Alimentação para cães: conheça as necessidades nutricionais do seu cão
A importância dos diferentes nutrientes na sua alimentação.

A alimentação para cães é bastante diferente da alimentação dos humanos e, convém conhecer as suas especificidades para poder fornecer-lhes tudo o que precisam de maneira a desenvolverem-se nas melhores condições.

Os cães domésticos pertencem à ordem carnívora, mas são considerados omnívoros ou carnívoros não estritos, pelo que a sua alimentação inclui nutrientes de origem animal e de plantas. As suas necessidades nutricionais variam consoante a idade, nível de atividade física, temperamento, fase da vida, estado de saúde e qualidade da dieta.

Alimentação para cães: necessidades nutricionais 


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1. Água

É o nutriente mais importante e sem esta, a morte pode ocorrer em pouco tempo. Água fresca e limpa deve estar sempre disponível durante todo o dia.

Em situações de desidratação, como é o caso de doenças gastrointestinais, respiratórias e urinárias, o livre acesso à água é crucial.

2. Proteínas

Na alimentação para cães não pode faltar proteína, pois sem esta não sobrevivem. Estas são compostas por cadeias de aminoácidos (cada proteína é constituída por cerca de 20 aminoácidos).

De entre os muitos aminoácidos existentes, há 10 que os cães não conseguem sintetizar, chamados de essenciais. Esses têm de obrigatoriamente constar na alimentação para cães pois, caso contrário, eles não têm outra forma de os obter.

As proteínas servem para que o organismo construa e regenere os tecidos, e desempenham uma função relevante nas reações químicas vitais. A maioria das dietas comerciais contém uma combinação de proteínas de base animal e vegetal, sendo que o valor proteico desta última é inferior.

Quando há um aporte deficiente de proteína, ocorrem situações como taxa de crescimento reduzida, anemia, perda de peso e/ou de massa muscular, má qualidade do pelo, atraso na cicatrização de feridas, entre outros.

3. Lípidos

Também designados por gorduras, são a principal fonte de energia e a maioria deriva de gorduras animais e óleos de sementes e plantas.

São fornecedores de ácidos gordos e transportam as vitaminas do grupo lipossolúvel (A, D, E e K), desempenhando funções na estrutura e função da célula. Os ácidos gordos essenciais (novamente, aqueles que têm de ser fornecidos pela dieta) são necessários na saúde da pele e do pelo.

Os da série do ómega-3 são conhecidos pelas suas propriedades anti-inflamatórias, como é o caso dos óleos de peixe de água fria, colza e linhaça.

Quando os lípidos são ingeridos em excesso, o organismo não os utiliza como energia, acumulando-os e provocando ao final de algum tempo aumento de peso.

Geralmente, com o aumento do conteúdo lipídico da dieta, aumenta também a sua palatibilidade.

4. Hidratos de carbono

Os animais omnívoros obtêm alguma da sua energia para uso imediato a partir dos hidratos de carbono, como o açúcar, o amido e algumas fibras. Nas dietas comercias de alimentação para cães, as principais fontes são cereais e legumes.

Há certos tecidos orgânicos, como o do cérebro e os glóbulos vermelhos, que necessitam de glucose para obter energia.

Condições como o crescimento, a gestação e a lactação necessitam que a fonte de energia venha essencialmente dos hidratos de carbono.

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5. Fibra

É definida como a porção comestível das plantas e que é resistente à digestão e absorção pelo intestino delgado, sofrendo apenas a fermentação completa ou parcial no intestino grosso.

Apesar da dieta dos cães não requerer fibra, há certos benefícios que advém da sua suplementação, nomeadamente a regulação do trânsito intestinal e a criação de um ambiente que favorece a sobrevivência de bactérias benéficas no trato gastrointestinal.

No entanto, também há efeitos menos desejáveis da utilização da fibra, como a produção excessiva de gases e a diarreia.

Como tal, deve ser usada fibra moderadamente fermentável, como é o caso da polpa de beterraba.

6. Vitaminas

São substâncias de composições químicas diversas que, embora sem valor energético, são indispensáveis ao equilíbrio fisiológico do organismo, ao qual são fornecidos pelos alimentos ou por via medicamentosa. A maioria das rações comerciais de alimentação para cães contém níveis de vitaminas acima do valor mínimo necessário.

Dividem-se em dois grupos, de acordo com a forma como chegam às células: através da água (hidrossolúveis) ou da gordura (lipossolúveis).

As hidrossolúveis normalmente são facilmente excretadas pela urina no caso de haver consumo excessivo, pelo que é menos provável haver casos de toxicidade quando ingeridas em mega doses. Fazem parte as vitaminas C e B.

As lipossolúveis são armazenadas no organismo, pelo que o seu uso crónico e excessivo pode conduzir a casos de toxicidade. Fazem parte as vitaminas A, D, E e K

Detêm funções em variados sistemas, como no funcionamento do sistema nervoso, crescimento e ossificação até ao sistema imunitário, fatores de coagulação e metabolismo energético.

7. Minerais

Consistem em substâncias naturais e inorgânicas, constituídas por um ou mais elementos. Nos cães há doze que são considerados essenciais.

É importante haver um balanço correto entre as necessidades de minerais e a densidade energética da dieta. A suplementação mineral indiscriminada é de evitar, pois há uma grande probabilidade de causar desequilíbrios no organismo, e as rações comerciais costumam conter as quantidades adequadas destes.

8. Macroelementos

O cálcio e o fósforo estão relacionados pois, a absorção de um influencia o outro. Em dietas compostas maioritariamente por carne como fígado, peixe ou aves pode haver uma depeleção de cálcio, o que leva à desmineralização do esqueleto e a problemas do sistema nervoso.

Já o excesso de cálcio, muitas vezes administrado sobre a forma de suplementos alimentares, nomeadamente a cachorros de raças grandes em crescimento, também é altamente prejudicial, levando a problemas de osteocondrose e defeitos na remodelação do esqueleto ósseo.

O sódio, potássio e magnésio são necessários para a transmissão do impulso nervoso, contração muscular e no equilíbrio iónico celular.

Em suma


A alimentação para cães é, portanto, algo complexa e as suas necessidades variam de acordo com a raça, o tamanho e a fase da vida (crescimento, envelhecimento, gestação, lactação, pós-castração, doenças…).

Informe-se junto do seu médico veterinário sobre qual a alimentação mais adequada para o seu cão em cada fase da vida, de forma a poder contribuir para a sua saúde.

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Drª Rita Campilho Drª Rita Campilho

Rita Campilho é médica veterinária. Apesar de viver na cidade, sempre teve contacto com animais e desde cedo que percebeu a importância destes como parte integrante do ecossistema. Tornou-se médica veterinária no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e atualmente trabalha com cavalos, cães e gatos. Também com cães na família, acredita que é através da educação e do conhecimento sobre comportamento e saúde animal que se consegue o melhor para os animais e para quem vive com eles.