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Alimentação na doença renal: saiba como otimizar a sua alimentação

A alimentação na doença renal crónica é de extrema relevância, sobretudo no controlo da ingestão de proteína, fósforo, potássio, sódio e líquidos.

 
Alimentação na doença renal: saiba como otimizar a sua alimentação
Conheça os cuidados nutricionais associados a esta patologia

Os rins são órgãos importantes na manutenção do equilíbrio do nosso organismo, tendo funções endócrinas e reguladoras, sendo responsáveis pela filtração e excreção de vários produtos do metabolismo. Dadas estas funções, fica fácil entender as consequências caso ocorra uma diminuição progressiva da taxa de filtração renal e a necessidade de gerir a alimentação na doença renal.

Alimentação na Doença Renal Crónica


alimentacao na doenca renal mulher fatigada

A doença renal crónica (DRC) é uma doença progressiva e irreversível, definida como uma alteração estrutural ou funcional do rim que persista ao longo do tempo, sendo caracterizada e categorizada de acordo com a progressão da diminuição da taxa de filtração glomerular.

É geralmente assintomática até aos estádios mais avançados, sendo que nestes os sintomas incluem diminuição do apetite, náuseas, vómitos, fadiga, retenção de líquidos, desnutrição, alterações cognitivas, presença de proteínas na urina (proteinuria), entre outros.

O seu diagnóstico baseia-se nomeadamente em exames de laboratório de avaliação da função renal e na biópsia renal.

A progressão desta doença está intimamente associada a doenças cardiovasculares, sendo estas uma das principais causas de morte nestes doentes. Outras consequências são o desenvolvimento de anemia e de doenças do foro mineral ósseo (1,2, 12).

A intervenção nutricional em estádios pré-diálise tem como finalidade preservar a função renal e prevenir complicações associadas à progressão da doença. As recomendações nutricionais atuais são adaptadas ao estadiamento da doença e baseiam-se essencialmente no ajuste do valor energético total, no controlo e restrição da ingestão de proteína, fósforo, potássio e sódio ainda no controlo da ingestão de líquidos (3).

Epidemiologia

Cerca de 1 em cada 10 pessoas (11% a 13% da população mundial) padece desta patologia, desempenhando um problema crescente de saúde pública, com elevadas implicações sociais, psicossociais e económicas, com potencial crescimento nas próximas décadas, devido ao aumento da esperança média de vida, do aumento dos casos de obesidade, o número de casos de diabetes mellitus e de pressão arterial alta (hipertensão) (4).

Alimentação na doença renal: obesidade e balanço energético


alimentacao na doenca renal homem obeso

A obesidade tem vindo a ser descrita como um fator preditivo de DRC, mostrando-se associada a uma taxa de filtração glomerular baixa.

Em parte, deve-se às comorbilidades osteoarticulares, neoplásicas, inflamatórias, metabólicas e hipertensivas associadas à obesidade, onde se destaca a diabetes e a hipertensão arterial, duas das principais causas de DRC.

A obesidade não é apenas uma possível causa para o desenvolvimento desta doença, podendo também estar associada à progressão do processo de deterioração da função renal até ao processo de falência renal.

Assim, manter uma alimentação balanceada, com o valor energético adequado, e a prática de atividade física regular, ajudarão na gestão do peso em valores desejáveis e consequentemente na diminuição da progressão da deterioração da função renal.

Estudos referem que uma perda de peso de 5% a 10% diminuem a pressão arterial. No entanto, dietas com baixo valor de hidratos de carbono e alto valor em proteínas devem ser evitadas. Assim, a identificação e tratamento precoce do excesso de peso e obesidade surge como forma de prevenção primária e secundária de DRC (5,6)

Alimentação na Doença Renal Crónica: proteína


alimentacao na doenca renal alimentos ricos em proteina

A proteína é responsável pela reparação, crescimento e manutenção das células, tecidos e dos órgãos. Perante a presença de uma patologia renal, é aconselhável um controlo na ingestão de alimentos com elevado valor proteico, devendo este ser superior quanto mais alto for o estadiamento da doença.

Em estádios mais precoces, o valor de proteína coincide com as recomendações para a população geral (1 a 0,8g/kg peso corporal/dia), sendo que este deve diminuir com a progressão da doença, garantido o aporte proteico suficiente para evitar complicações nutricionais (3, 7, 8).

As proteínas encontram-se essencialmente em produtos de origem animal, como a carne, o peixe, os ovos e os produtos lácteos. No entanto, também podem ser encontradas, com valores consideráveis, em alimentos de origem vegetal (ex.: as leguminosas).

Alimentação na Doença Renal Crónica: fósforo e potássio


alimentacao na doenca renal frutos secos oleoginosos

Com a diminuição progressiva da capacidade de filtração dos rins, surge a necessidade de controlar a ingestão de fósforo e potássio, evitando o aumento da sua concentração a nível sanguíneo prevenindo complicações associadas.

O excesso de potássio (hipercalémia) no sangue leva a que o coração bata de forma descontrolada (arritmia). No entanto, a restrição excessiva deste elemento deverá ser evitada, uma vez que poderá provocar alterações cardíacas e intestinais. Assim, um consumo balanceado de fruta e vegetais ricos em fibra deverá ser sempre garantido (3) .

Alimentos ricos em potássio:

Caso os valores destes componentes estejam elevados no sangue, deverá diminuir a ingestão de alimentos ricos em fósforo e potássio.
Geralmente, reduzindo o consumo de proteína e de produtos processados, reduzirá a ingestão de fósforo (3, 9, 10, 11).

Alimentos ricos em fósforo:

  • Refrigerantes;
  • Leite e produtos lácteos;
  • Carne e derivados;
  • Peixe;
  • Chocolate;
  • Leguminosas;
  • Frutos Oleaginosos.

 

Alimentação na Doença Renal Crónica: sódio ou sal (cloreto de sódio)


alimentacao na doenca renal

O cloreto de sódio (sal) é encontrado naturalmente nos alimentos, sendo também usado amplamente para preservar alimentos processados. Com a progressão da DRC, os rins perdem a capacidade de excretar o excesso de sódio.

Assim, é recomendada a restrição dietética de sal para um melhor controlo da retenção de líquidos (edema), da hipertensão arterial para a diminuição do risco cardiovascular, e da progressão da deterioração da função renal. As recomendações dietéticas para a diminuição da ingestão de sódio passam pela redução de sal nos preparados culinários e pela exclusão do consumo de produtos processados (nomeadamente de caldos concentrados, fumados, enlatados, aperitivos salgados e molhos industrializados) (3).

É preciso dar especial atenção aos substitutos do sódio, pois são tipicamente ricos em potássio.

Alimentação na Doença Renal Crónica: líquidos


alimentacao na doenca renal taca com gelatina

A monitorização dos líquidos é uma importante parte da terapia alimentar na doença renal. Com a progressão da DRC, pode-se verificar uma diminuição da capacidade de excreção de líquidos, diminuindo o débito urinário habitual. Em caso de edema ou hiponatremia (diminuição da concentração de sódio no sangue) torna-se necessária a restrição de líquidos (3).

Com vista a este fim, incluem-se nos líquidos.

  • Água e gelo;
  • Gelatinas, gelados, leite, produtos lácteos de consistência líquida;
  • Refrigerantes, bebidas alcoólicas, chás e infusões e café;
  • Sopas e caldos.

A prevenção desta doença passa pelo controlo dos fatores de risco referidos acima, assim como pelo tratamento precoce da doença, diminuindo a progressão e as consequências secundárias, aumentando consequentemente a qualidade de vida destes doentes.

Para a gestão nutricional, poderá ser necessário excluir da alimentação alguns alimentos, por isso é importante o acompanhamento por parte de um nutricionista, evitando o estado de desnutrição.

Veja também:

Fontes

1. Webster, A.C., et al. (2017). Chronic Kidney Disease. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27887750

2. Gansevoort, R.T. et al. (2013). Chronic kidney disease and cardiovascular risk: epidemiology, mechanisms, and prevention. Disponível em:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673613605954

3. Kalantar-Zadeh, K. et al. (2017). Nutritional Management of Chronic Kidney Disease. Disponível em:
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1700312

4. Jha, V. et al. (2013). Chronic kidney disease: global dimension and perspectives. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23727169

5. Ezequiel, D. et al (2012). Weight loss improves renal hemodynamics in patients with metabolic syndrome. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-28002012000100006&script=sci_arttext&tlng=pt

6. Garofalo, C. et al. (2017). A systematic review and meta-analysis suggests obesity predicts onset of chronic kidney disease in the general population. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28187985

7. Zha, Y. et al. (2017). Protein Nutrition and Malnutrition in CKD and ESRD. Disponível em:
https://www.mdpi.com/2072-6643/9/3/208

8. Cirillo, M. et al. (2014). Protein intake and kidney function in the middle-age population: contrast between cross-sectional and longitudinal data. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24658594

9. McClure, S.T. et al (2017). Dietary Sources of Phosphorus among Adults in the United States: Results from NHANES 2001-2014. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5331526/

10. Chang, A. et al. (2017). Dietary Phosphorus Intake and the Kidney. Disponível em:
https://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev-nutr-071816-064607

11. Ritter, C.S. et al. (2016). Phosphate Toxicity in CKD: The Killer among Us. Disponível em:
https://cjasn.asnjournals.org/content/11/6/1088.short

12. Levin. A. et al. (2013). Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) CKD Work Group. Disponível em:
https://jhu.pure.elsevier.com/en/publications/kidney-disease-improving-global-outcomes-kdigo-ckd-work-group-kdi-4

Nutricionista Luís Cristino Nutricionista Luís Cristino

Luís Cristino (CP. 3994N), é nutricionista licenciado em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2018. Atualmente exerce funções nas áreas da nutrição clínica e da otimização da performance desportiva.

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