O que são as Varizes Esofágicas e como podem ser tratadas?

As varizes esofágicas são veias dilatadas e frágeis que se encontram na porção inferior do esófago. É importante estar atento aos sinais, pois a sua rotura pode provocar uma hemorragia grave.

O que são as Varizes Esofágicas e como podem ser tratadas?
Este problema afeta frequentemente os indivíduos que sofrem de cirrose hepática.

As varizes esofágicas consistem em deformações e dilatações permanentes das veias na região inferior do esófago, que liga a garganta ao estômago.

Esta patologia afeta frequentemente os indivíduos com doença grave do fígado, como a cirrose hepática.

A hemorragia destas varizes é considerada uma emergência potencialmente fatal. O risco de morte é de aproximadamente 20%. Cerca de 50% dos indivíduos que sofrem de hemorragia secundária a varizes esofágicas terão uma recorrência 1 a 2 anos após. Este risco pode ser reduzido através de tratamento.

O que são varizes esofágicas?


As varizes esofágicas consistem em veias dilatadas na porção inferior do esófago, junto ao estômago. As varizes do esófago ou do estômago são semelhantes às veias varicosas que alguns indivíduos apresentam nos membros inferiores. Estas varizes podem sofrer rotura e provocar hemorragia grave.

Causas do aparecimento de varizes esofágicas


varizes esofagicas e cirrose hepatica

As varizes esofágicas ocorrem frequentemente em indivíduos com cirrose hepática. A cirrose provoca lesões no fígado, diminuindo o fluxo de sangue através deste e fazendo com que o sangue fique acumulado na veia porta (veia que transporta o sangue dos intestinos para o fígado). Esta acumulação causa um aumento da pressão sanguínea na veia porta e noutras veias na sua proximidade. Este fenómeno chama-se hipertensão portal.

Outras causas de hipertensão portal e varizes esofágicas são coágulos de sangue nas veias que transportam o sangue do e para o fígado e a esquistossomose. A esquistossomose consiste numa infecção parasitária que pode levar a uma obstrução hepática e, consequentemente, a um aumento da pressão sanguínea na veia porta.

A acumulação de sangue faz com que as veias sejam obrigadas a dilatarem-se na região do estômago e do esófago. Estas veias dilatadas podem facilmente romper e sangrar intensamente. Este fenómeno ocorre pelos seguintes motivos:

  • As paredes das varizes são muito finas;
  • A pressão no interior das varizes é superior à pressão no interior das veias saudáveis;
  • As varizes estão próximas à superfície do esófago.

 

Sinais e sintomas de varizes esofágicas


mulher com vontade de vomitar

A hipertensão da veia porta não causa, normalmente, sintomas. Na maior parte das vezes, o problema é identificado pela primeira vez quando as varizes esofágicas sangram. Quando a hemorragia é significativa, o indivíduo vomita sangue, com elevada frequência e em grandes quantidades. Os indivíduos com hemorragia grave sentem tonturas e podem perder a consciência.

Existem alguns indivíduos que sangram em quantidade menor ao longo de um maior período de tempo. Nestes casos, as fezes do indivíduo podem apresentar-se pretas, cor de alcatrão.

Os indivíduos com varizes esofágicas que surgem secundariamente a cirrose hepática apresentam, na maior parte dos casos, outros sintomas relacionados com a sua patologia do fígado.

Tratamento das varizes esofágicas


O tratamento emergente da hemorragia devido à rotura de varizes esofágicas é feito, inicialmente, pela administração de soros e de sangue por via endovenosa. Podem ainda ser administrados fármacos por via endovenosa para diminuir o fluxo de sangue para o intestino. Logo que possível deve ser realizada uma endoscopia para identificar o local da rotura.

Se a hemorragia for provocada pela rotura de varizes esofágicas podem ser realizados dois tratamentos:

  • Laqueação por banda elástica: É utilizada uma fita de borracha para laquear a porção da variz onde se encontra a rotura;
  • Escleroterapia: É feita a injeção de um fármaco na variz sangrante, provocando o entupimento dos vasos.

A hemorragia provocada pela rotura de varizes esofágicas pode levar a uma perda de grande quantidade sendo necessária a transfusão de sangue.

Uma vez que se consiga controlar a hemorragia, deve ser iniciado tratamento para prevenir a recorrência de hemorragias. Em alguns casos podem ser realizadas técnicas de laqueação com banda elástica com o objetivo de eliminar as varizes.

Nos indivíduos que sofrem de cirrose hepática grave pode ser necessária a realização de um procedimento para diminuir a pressão na veia porta. A pressão sanguínea é minimizada através da criação de um canal que deriva o sangue das veias de grande pressão sanguínea, o shunt. O shunt pode ser realizado através de dois métodos:

  • Shunt porto-sistémico intra-hepático transjugular (TIPS): Quando o fígado apresenta cirrose, a circulação do sangue através do tecido hepático é excessivamente lenta. O shunt porto-sistémico intra-hepático transjugular consiste na introdução de um stent (um tubo) no fígado para que o sangue possa fluir mais rapidamente através deste órgão;
  • Cirurgia: Por vezes pode ser mais importante tratar a doença base, a cirrose hepática, através de transplante de fígado.

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Enfª Isabel Silva Enfª Isabel Silva

Isabel Silva é enfermeira por paixão, licenciada pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. Sempre quis seguir a área da saúde e acredita que a informação é uma ferramenta essencial para a saúde da população, e que cabe aos profissionais de saúde transmiti-la de forma relevante e fidedigna para que cada indivíduo seja capaz de tomar decisões importantes relativamente à sua saúde e ao seu bem-estar.