Teste de intolerância alimentar: são fiáveis ou apenas um negócio?

Teste de intolerância alimentar: são fiáveis ou apenas um negócio?

Saiba como funciona e tire as suas próprias conclusões.

O mercado oferece inúmeras possibilidades de testes de intolerância alimentar. Mas será que deve confiar nos resultados? 

Alguma vez pensou em fazer um teste de intolerância alimentar? E sabe quem deve procurar para esse efeito? São muitas as pessoas que sofrem de algumas intolerâncias alimentares (só para ter uma ideia um quarto da população portuguesa sofre de intolerâncias alimentares). Não será por isso de estranhar que se encontre no mercado uma oferta tão vasta de testes que permitem "descobrir" a causa das intolerâncias alimentares. Mas antes de decidir fazer um desses testes saiba se vale mesmo a pena. 

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Intolerância alimentar: o que é?


A intolerância alimentar resulta da má digestão (digamos assim) de um determinado alimento, o que acontece devido à ausência da enzima necessária para auxiliar o processo digestivo desse mesmo alimento. Os seus efeitos – ainda que desconfortáveis – não são tão graves como os de uma alergia alimentar mas – dada a multiplicidade manifestações possíveis (como dor ou desconforto abdominal, náuseas ou obstipação, por exemplo e para citar apenas alguns dos sintomas) – o seu diagnóstico e identificação da causa pode ser difícil. 

É aqui que entra o tão famoso teste de intolerância alimentar. 

Teste de intolerância alimentar: fiável ou nem por isso? 


Pois bem, se sofre de alguma intolerância alimentar e está a considerar fazer um teste de intolerância alimentar para determinar a causa, talvez seja melhor pensar duas vezes. 

Uma pesquisa online e vai dar de caras com imensas clínicas que disponibilizam testes de intolerância alimentar. Testes variados e com preços – também eles – variáveis e até promoções. Tentador? Sim. 

O problema é que, segundo a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica – SPAIC (que claramente sabe do que fala), este tipo de testes não tem qualquer tipo de validade científica. Aliás, num comunicado emitido pela SPAIC e disponibilizado na página oficial da entidade pode ler-se que estes testes “não têm qualquer fundamentação científica, não têm utilidade diagnóstica e a sua realização e interpretação no âmbito clínico podem configurar elementos de má prática não devendo igualmente receber qualquer tipo de comparticipação pelos sistemas de saúde”. A SPAIC alerta mesmo para o facto destes testes poderem conduzir as pessoas que se submetem a eles (inclusivamente crianças) a enveredarem por “grandes restrições dietéticas com consequências nutricionais, metabólicas e impacto significativo na qualidade de vida”

Ou seja, este tipo de testes além de não terem qualquer validade médica, ainda podem ser prejudiciais para a saúde de quem se fia nos seus resultados e (pior!) dificultam o trabalho dos profissionais médicos especializados. 

Em suma, se pensa sofrer de algum tipo de intolerância alimentar deixe os testes de lado e procure a ajuda de um Imunoalergologista que, através das metodologias de diagnóstico clínico e laboratorial apropriadas, o vai poder ajudar. 


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