Crónica #26: quero relatos, não sermões!

Crónica #26: quero relatos, não sermões!

A minha gravidez sem pós de perlimpim

Da parte de mulheres e grávidas só espero uma coisa básica: solidariedade e compreensão. Só que… não.

Ainda o positivo estava longe de sair e na minha cabeça já estava decidido que o parto seria na Maternidade Júlio Dinis.No entanto, já se sabe que nesta coisa da gravidez nada é definitivo, tudo se transforma. À medida que a gestação foi avançando e que me fui informando sobre as opções de parto que existem, comecei a considerar outras possibilidades. Em competição direta, está a Maternidade Júlio Dinis e o Hospital da Póvoa do Varzim.

Não tenho medo do parto, nunca tive, no entanto, tenho receio de encontrar uma equipa que o complique e que, de forma consciente ou inconsciente, me impeça de conseguir fazer aquilo que sei que sou capaz e que milhões de mulheres fazem desde que o mundo é mundo. Tenho definido um plano de parto que, nada mais é do que uma lista de desejos, sem fundamentalismos, daquilo que espero para o nascimento do Pedrinho. Uma ferramenta muito útil tanto para mim quanto para a equipa que me vai acompanhar.

Apesar da imensidão de fóruns e grupos de grávidas e mães, não é fácil encontrar relatos atuais sobre estes dois hospitais. Assim, recorri a um grupo no Facebook, que conta com quase 15 mil mulheres onde fiz duas pergunta simples: Alguém escolheu o Hospital da Póvoa do Varzim ou a Maternidade Júlio Dinis para o parto? Podem dar-me feedback? Face a respostas como “correu tudo bem”, acrescentei mais algumas perguntas: Como foi o teu parto? Sugeriram leite artificial?

O que eu pedi foi feedback, não foram sermões mas as pessoas baralham-se e sou forçada a intensos exercícios de respiração para não perder a calma. Fui brindada com comentários como “tem calma, ainda stressas o miúdo” ou “mas porquê tanta preocupação com o parto”. Isto vindo de pessoas que nunca estiveram grávidas, ainda estou como o outro, agora de mulheres que já passaram por uma gestação e que deviam saber perfeitamente que saídas como estas não são fixes, já me faz espécie.

Se não for muita maçada, não me façam sentir culpada nem histérica por tratar de me informar sobre o parto, tá benzinho? Até porque, à lá bere, eu é que estou bem, pessoas! Apesar dos vossos esforços, não, não estou stressada nem a sofrer por antecipação, estou apenas a avaliar um serviço para perceber onde melhor encaixa o meu plano de parto que, com pena minha, já vai ser uma solução de compromisso. 

Estou a informar-me, pessoas, para saber quais são as minhas opções e direitos e, assim, conseguir tomar decisões conscientes e informadas (é assim uma coisa nova, só possível depois do 25 de Abril de 1974, mas super recomendo, pessoas!) sobre aquele que, para mim, é o momento mais importante da gestação e que em tudo influencia as semanas que se seguem.
 

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