Dar suplemento de flúor a bebés: sim ou não?

Antigamente a prática de administrar suplemento de flúor a bebés era frequente, com o intuito de prevenir cáries, no entanto a realidade de hoje é outra.

Dar suplemento de flúor a bebés: sim ou não?
Dar ou não dar, eis a questão!

Muitos pais não sabem se devem ou não dar suplemento de flúor a bebés, porque antigamente essa era uma prática frequente, no entanto atualmente quer os pediatras, quer os dentistas, apresentam uma opinião profissional diferente.

O objetivo do uso desses suplementos em tais contextos era compensar a deficiência de flúor presente na água e estava apoiado no conceito de que, a forma mais eficiente de usar flúor era através da sua ingestão durante a formação dos dentes, de maneira que a sua incorporação no esmalte dentário teria como consequência uma maior resistência à cárie dentária.

O que é o flúor e para que serve?


 

O flúor é um elemento natural que se encontra essencialmente na água potável e nos solos. Pode ainda ser encontrado, nos peixes de água doce e de água salgada.

O flúor é um constituinte muito importante dos dentes, que confere uma maior solidez e resistência contra as infecções dentárias. Logo, o flúor ajuda na redução da prevalência e da gravidade da cárie.

Dar suplemento de flúor a bebés: sim ou não?


escovar os dentes

Até há alguns anos atrás, os médicos recomendavam a administração oral de suplemento de flúor a bebés e crianças, desde o nascimento, passando depois a recomendação a ser a administração acima dos 6 meses, em regiões onde a água canalizada tivesse pouco flúor.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) desaconselha a toma de flúor sistémico (em gotas ou comprimidos) nas grávidas e nas crianças, sendo apenas utilizado em crianças de alto risco.

No nosso organismo, o flúor é importante para a saúde óssea e, principalmente, para a saúde dentária, tendo em conta que atua como um antibacteriano e diminuiu a prevalência de cáries.

Por esta razão, atualmente a grande maioria dos pediatras e dentistas, consideram que a ação preventiva e terapêutica do flúor é tópica e pós-eruptiva (após os dentes nascerem) e para se obter esse efeito tópico, deverá utilizar-se uma pasta dentífrica fluoretada.

Assim, recomenda-se que a lavagem da boca do bebé deva ser feita a partir da erupção do seu primeiro dente, segundo a Direção Geral da Saúde “com auxílio de uma gaze, dedeira ou escova suave na qual se aplica quantidade de pasta dentífrica fluoretada (1000 – 1500 ppm (mg/l) de fluoreto) equivalente ao tamanho da unha do dedo mindinho do bebé”. A lavagem deve ser realizada idealmente duas vezes por dia, uma das quais obrigatoriamente antes de deitar, após a última refeição.

Consequências da administração do suplemento de flúor a bebés


bebe com escova de dentes amarela

Administrar fluoretos por via oral, pode provocar efeitos tóxicos no organismo, em particular se forem administrados antes dos 6 anos de idade. A investigação científica permitiu concluir que esta administração de suplementos de flúor, levava ao excesso de flúor nas crianças e ao aparecimento de fluorose dentária (manchas amareladas nos dentes), sendo então aconselhada a sua interrupção.

Esta patologia pode ocorrer também, devido ao consumo de água excessivamente fluoretada, ou certos alimentos e produtos industrializados. Pode ainda estar associada com a ingestão excessiva de dentífricos fluoretados durante a escovagem dentária, o que por vezes acontece em crianças, quer seja por dificuldades no controlo adequado da deglutição, quer seja propositadamente por gostarem do sabor da pasta.

A fluorose dentária é uma patologia que afeta os dentes e que se desenvolve durante a sua formação e manifesta-se ao nível do esmalte dentário na forma de manchas (que normalmente apresentam uma forma irregular e podem ter várias tonalidades consoante o seu grau de gravidade e intensidade) e/ou defeitos anatómicos.

Nos casos mais severos, poderá mesmo haver irregularidades e perda da estrutura dentária, pois a fluorose torna o esmalte hipomineralizado, mais poroso e friável, e como tal, mais fácil de se desgastar, podendo em alguns casos surgir mesmo sensibilidade dentária e/ou dor de dentes. Estas alterações comprometem a estética dentária e podem interferir na auto-estima do indivíduo, principalmente nos casos mais severos.

Tratamento da fluorose dentária


dentista

A fluorose dentária não desaparece com o passar da idade, mas existem tratamentos dentários, que permitem a diminuição, ou até mesmo a extinção das manchas que aparecem no esmalte dos dentes, melhorando desta forma a estética dentária.

O diagnóstico da fluorose dentária é realizado pelo médico dentista através da observação clínica, sendo que a história clínica do paciente, poderá ajudar na sustentação desse mesmo diagnóstico.

Como prevenir a fluorose dentária


escovas de dentes

Hoje, sabe-se que o principal mecanismo de ação do flúor deve-se à sua ação pós-eruptiva, interferindo nos ciclos de desmineralização e remineralização, reduzindo a primeira e ativando a segunda, sendo a presença contínua de flúor em baixas concentrações no meio bucal indispensável.

Assim, sugere-se que o foco principal da prevenção está, na educação sobre a saúde (por exemplo através das médicas e enfermeiras dos cuidados de saúde primários) e nos meios de aplicação tópica de flúor, em detrimento do uso de suplementos de flúor.

Outro ponto a apostar nestas sessões será: fornecer informação sobre uma correta alimentação, fatores de cariogenicidade (formação de cáries) e a importância de prevenir as cáries precoces da infância. É também particularmente importante reforçar a absoluta contra-indicação da utilização de chupetas com açúcar ou mel.

Em suma


Após esta reflexão, conclui-se que o bebé precisa de flúor, até pela sua importância na saúde dentária, mas o fornecimento de suplemento de flúor a bebés de forma oral, está contra-indicada. A recomendação atual diz que o flúor deve ser administrado através da escovagem dos dentes, com recurso a uma pasta dentífrica adequada à idade.

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.