Homoparentalidade: a tua família é igual à minha?

A investigação científica demonstra que o bem-estar das crianças é determinado pela qualidade das relações parentais e não pela estrutura das suas famílias, daí que a homoparentalidade não tenha qualquer efeito negativo nas crianças.

Homoparentalidade: a tua família é igual à minha?
A família é amor.

Há crianças com uma mãe e um pai, outras com duas mães, outras com dois pais ou outras só com uma mãe ou um pai. Não existe um modelo único e perfeito de família. Existem famílias. Mas como explicar a homoparentalidade a uma criança? Será que põe em causa o desenvolvimento psicológico das crianças?

Homoparentalidade: motivo de controvérsia?


homoparentalidade

Durante muito tempo, a falta de informação impulsionou a existência de preconceitos e dúvidas acerca da homoparentalidade. Hoje sabemos que estas dúvidas relativamente às competências parentais do casal homossexual não têm razão de ser, dado que as inúmeras investigações realizadas demonstram que as famílias homossexuais não diferem das famílias heterossexuais, nomeadamente ao nível das atitudes parentais, comportamento, personalidade e ajustamento dos pais.

Assim sendo, a orientação sexual não interfere na forma como o casal se relaciona com os filhos, na medida em que as práticas das famílias heterossexuais e homossexuais são as mesmas em atividades como: brincar; ajudar nos trabalhos de casa; estimular o contacto com os amigos e a família; educar; cuidar; acarinhar.

Os homossexuais, tal como os heterossexuais, possuem as competências parentais necessárias para educar uma criança, podendo oferecer-lhe um contexto familiar afetuoso, saudável e potenciador do seu desenvolvimento.

A Criança e a homoparentalidade


criancas com os seus pais

A discussão que existe à volta da homoparentalidade está naturalmente focada no desenvolvimento da criança e na sua adaptação emocional e social. Também relativamente a este assunto muita investigação tem sido realizada, sendo possível retirar as seguintes conclusões:

  • Não há grandes diferenças ao nível da adaptação psicológica das crianças independentemente da orientação sexual dos pais;
  • Crianças criadas por pais homossexuais exibem níveis de funcionamento emocional, cognitivo, social e sexual, idênticos às crianças criadas por pais heterossexuais;
  • A ausência de pais dos dois sexos não parece ter nenhuma incidência sobre o desenvolvimento da identidade sexual e o desenvolvimento psicológico geral das crianças;
  • Mais importante para as crianças do que o género dos pais é a qualidade das interações diárias e a força das relações entre os pais;
  • O sexo dos cuidadores não é importante para o desenvolvimento saudável da criança;
  • Não existe qualquer diferença entre os cuidados exercidos pelas famílias homoparentais e heterossexuais;
  • Ao nível do funcionamento cognitivo, não foram encontradas diferenças entre filhos de famílias homoparentais e heteroparentais;
  • Crianças provenientes de famílias homoparentais sentem-se tão aceites e populares entre os colegas como as crianças provenientes de famílias heteroparentais.

 

Homoparentalidade: o papel das famílias e da escola


pais a conversarem com filha

Por mais desconfortável que possa ser é natural que, na escola, quando as crianças se deparam com a existência de uma estrutura familiar muito diferente da sua, sintam curiosidade e necessidade de colocar inúmeras questões. Deixamos algumas diretrizes que podem ser úteis para pais, professores e educadores:

  • Comunicar com as crianças sobre as diferentes tipologias de família: valorizar a diversidade e prevenir a discriminação;
  • Garantir um ambiente sem qualquer atitude de discriminação;
  • Não fazer juízos ou comentários destrutivos sobre a vida familiar das crianças;
  • Diálogo e abertura entre pais e professores: os pais devem clarificar a estrutura familiar junto do diretor de turma; os professores devem procurar soluções adequadas juntamente com as famílias sempre que se debatam com alguma dúvida;
  • A criança deve conhecer a história da sua família de forma simples e direta: para que as crianças se sintam à vontade, é preciso que os adultos ao seu redor também se sintam;
  • É natural que as outras crianças se sintam curiosas quando se deparam pela primeira vez com uma estrutura familiar diferente: pais e professores devem conversar com as crianças e clarificar a existência de diferentes estruturas familiares e que a componente mais importante da família é o amor.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!