Febre de Lassa: uma febre hemorrágica viral

A febre de Lassa é uma febre hemorrágica viral, que afeta vários sistemas de orgãos e para a qual ainda não existe cura. A infeção pelo vírus Lassa advém da exposição à urina ou fezes dos ratos Mastomys. O tratamento é conseguido através da administração precoce de ribavirina. Se vai viajar para os países afetados, previna-se.

Febre de Lassa: uma febre hemorrágica viral
Atualmente, não existe uma vacina preventiva da Febre da Lassa.

A febre de Lassa caracteriza-se por uma febre hemorrágica viral, provocada pelo vírus de Lassa. Foi identificado pela 1ª vez no ano de 1969, na cidade de Lassa, na Nigéria, após a morte de duas enfermeiras missionárias.

Esta patologia é endémica da Serra Leoa, Libéria, Guiné e Nigéria. No entanto, é possível encontrar casos de febre de Lassa nos restantes países da África Ocidental devido à presença de ratos portadores do vírus que são endémicos do continente africano: os ratos do género Mastomys.

Os humanos são infetados com o vírus Lassa por exposição à urina ou fezes dos ratos Mastomys. As pessoas em maior risco são as que vivem em áreas rurais, onde os Mastomys são geralmente encontrados, especialmente em comunidades com falta de condições de saneamento.

Esta doença ainda não tem cura, cuja taxa geral de letalidade é de 1%. A taxa de caso-mortalidade observada entre pacientes hospitalizados com casos graves de febre de Lassa é de 15%.

Apesar dos números não aparentarem ser uma situação alarmante, segundo dados da World Heatlh Organization (WHO), esta doença já matou 90 pessoas em 18 estados da Nigéria durante o período entre 1 de Janeiro e 25 de Fevereiro de 2018.

Como se transmite a febre de Lassa


febre da lassa e transmissao

Esta patologia é causada por infecção pelo vírus Lassa e é uma doença “zoonótica”, em que os seres humanos são infectados através do contacto com animais infetados.

O vírus está presente na urina e excrementos dos Mastomys, roedores que vivem, normalmente, em casas e áreas onde os alimentos são armazenados.

O vírus da Lassa pode ser transmitido através de:

  • Contacto com a urina ou excremento de um rato infectado;
  • Contacto com sangue, urina, fezes ou fluidos corporais de uma pessoa infetada;
  • Comida, roupas ou objetos contaminados;
  • Inalação de pequenas partículas contaminadas com urina ou excremento de um rato infetado.

Os viajantes de áreas onde a febre de Lassa é endémica, podem transportar a doença para outros países, embora isso raramente ocorra. O diagnóstico de febre de Lassa aplica-se a doentes febris que regressam da África Ocidental, especialmente se estiveram em áreas rurais ou hospitais em países onde esta febre é endémica.

As pessoas com febre de Lassa não são consideradas contagiosas, antes de apresentarem sintomas da doença. Esta febre não é transmitida por um contacto casual como o abraço, aperto de mãos ou, simplesmente, com a proximidade com um indivíduo infetado.

Quais são os sintomas da febre de Lassa?


jovem com dores de cabeca

Os sintomas da febre de Lassa geralmente manifestam-se entre 1 a 3 semanas após o contacto com o vírus, de entre os quais se destacam:
Febre;

  • Dor de cabeça;
  • Dor de garganta;
  • Dor toráxica;
  • Dor muscular;
  • Náuseas, vómitos e diarreia;
  • Edema facial;
  • Diminuição da capacidade auditiva;
  • Nos casos mais graves, sangramento através do boca, nariz, vagina ou trato gastrointestinal.

Febre de Lassa vs Ébola

Aproximadamente 15% a 20% dos pacientes hospitalizados por febre de Lassa morrem da doença. No entanto, apenas 1% de todas as infecções por vírus Lassa resulta na morte. O aborto espontâneo é uma complicação séria desta infeção, apresentando uma mortalidade estimada de 95% em fetos de gestantes infetadas.

Comparativamente ao Ébola, doença que também se apresenta como uma febre hemorrágica, a febre de Lassa tem menos probalidade de contágio de pessoa para pessoa e é significativamente menos mortal. A taxa de mortalidade da febre de Lassa é de aproximadamente 1% contra aproximadamente 70% no caso do Ébola. Os sintomas graves não são comuns em casos de febre de Lassa.

Uma vez que os sintomas desta doença são tão variados e inespecíficos, o diagnóstico clínico é muitas vezes de difícil realização.

Diagnóstico da febre de Lassa


testes laboratoriais

Uma vez que os sintomas da febre de Lassa são tão variados e inespecíficos, o diagnóstico clínico é muitas vezes de difícil realização.

As infeções pelo vírus de Lassa só podem ser diagnosticadas em laboratório utilizando os seguintes métodos:

  • Ensaio de reação em cadeia da polimerase de transcriptase reversa (RT-PCR);
  • Ensaio imunoenzimático ligado a anticorpos (ELISA);
  • Testes de deteção de antígenos;
  • Isolamento do vírus por cultura celular.

 

Tratamento da febre de Lassa


medicamentos anti virais

Atualmente não existe uma vacina preventiva para o vírus de Lassa. No entanto, um diagnóstico rápido levará a um tratamento mais eficaz.

O medicamento antiviral ribavirina tem-se mostrado como um tratamento eficaz para a febre de Lassa, mas só se administrado no início da doença.

Os doentes também devem receber cuidados complementares como a administração de oxigénio e fluidos, manutenção do equilíbrio hidro-eletrolítico, avaliação de sinais vitais, bem como tratamento de outras complicações associadas.

Prevenção e controlo da febre de Lassa


desinfetar e lavar as maos

A prevenção da febre de Lassa, segundo a WHO, baseia-se na promoção de uma boa “higiene comunitária” para afastar os roedores das casas.

Algumas das medidas eficazes para prevenção da Febre de Lassa incluem:

  • higienização das mãos;
  • armazenamento de grãos e outros produtos alimentares em recipientes resistentes e com tampas;
  • manter os contentores do lixo doméstico longe das casas;
  • manter as casa limpas;
  • adotar gatos como animais domésticos.

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Enfª Cátia Dias Enfª Cátia Dias

Cátia Dias é Licencida em Enfermagem. Desde cedo, percebeu que queria cuidar do outro, facilitar a sua autodeterminação e contribuir com possibilidades para a manutenção da sua qualidade de vida. De entre as várias vertentes da “arte do cuidar”, dá particular importância à Educação para a Saúde, que considera uma ferramenta essencial para ajudar o indivíduo a tomar decisões adequadas de forma holística e preventiva.