Envelhecimento ativo: porque é tão importante?

O envelhecimento ativo deverá ser visto não apenas como uma opção, mas sobretudo como um estilo de vida a adotar de forma a envelhecer com mais qualidade de vida.

Envelhecimento ativo: porque é tão importante?
Todos os seres humanos envelhecem, mas será que todos envelhecem com qualidade?

Numa época de grande expansão da população idosa tornou-se fundamental falar de envelhecimento ativo. O envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade, mas também um dos seus maiores desafios.

Mas do que se trata afinal o envelhecimento ativo? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) é o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, de forma a melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Desta forma o envelhecimento ativo representa muito mais do que a habilidade de se manter fisicamente ativo.

Refere-se igualmente à contínua participação nas atividades sociais, económicas, culturais, espirituais e cívicas. Ainda segundo a OMS o conceito de saúde está associado ao bem-estar físico, mental e social, logo o envelhecimento ativo deverá abranger a pessoa em todas as suas dimensões.

Para se entender a importância do envelhecimento ativo é necessário compreender outros dois termos: o processo normal do envelhecimento, bem como o envelhecimento patológico.

Envelhecimento ativo normal


envelhecimento ativo normal

Todo o processo de envelhecimento normal está associado a alterações fisiológicas no organismo a vários níveis. Desde mudanças no sistema cardiovascular, respiratório, endócrino, músculo-esquelético e nervoso, que podem manifestar-se, por exemplo, das seguintes formas:

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  • Diminuição da força, flexibilidade e resistência muscular;
  • Aumento da fragilidade dos ossos;
  • Diminuição da amplitude e mobilidade articular;
  • Diminuição da resistência cardiovascular e aumento da tensão arterial, o que pode levar à sensação de fadiga e falta de ar;
  • Maior risco de infeções respiratórias;
  • Alteração dos padrões de respiração;
  • Maior probabilidade de desidratação;
  • Aumento da probabilidade de incontinência urinária;
  • Aumento da sensibilidade da pele;
  • Aumento dos níveis de glicose no sangue;
  • Diminuição da motilidade intestinal e gástrica;
  • Aumento do risco de queda;
  • Alterações de humor;
  • Diminuição da função cognitiva;
  • Diminuição da capacidade visual e auditiva;
  • Ligeira perda de memória e da capacidade de pensamento.

O processo de envelhecimento normal depende de indivíduo para indivíduo, bem como o estilo de vida e contexto em que se encontra inserido. No entanto é possível suavizar estas alterações através da adoção de estratégias que visam o envelhecimento ativo, de forma a que este processo normal ocorra com maior qualidade e bem-estar.

Envelhecimento patológico


 

idosa a tomar a sua medicacao

Mas envelhecer é diferente de adoecer, e quando isso acontece o envelhecimento torna-se um processo patológico. É com frequência que lesões cardiovasculares, cerebrais e alguns tipos de cancro acometem as pessoas nesta fase da vida. Estas e outras lesões estão geralmente associadas à inatividade física, uma dieta desequilibrada e a estilos de vida menos saudáveis durante a vida. Os fatores culturais, geográficos e cronológicos também influenciam largamente este processo.

O envelhecimento patológico afeta gravemente a independência e a qualidade de vida dos idosos, acarretando igualmente grandes custos a nível dos cuidados de saúde. Portanto é essencial, cada vez mais, adotar medidas preventivas e proativas de forma a que o envelhecimento seja sinónimo de qualidade de vida e não de doença e sofrimento.

Envelhecimento ativo: fatores promotores


Dentro dos fatores que promovem um envelhecimento ativo destacam-se os de natureza fisiológica (relacionados com o funcionamento do organismo), cognitiva ou mental, bem como os fatores sociais e do ambiente envolvente.

Fatores fisiológicos

idosos a praticar exercicio fisico

As medidas neste campo devem visar sobretudo a capacidade física, nutrição adequada, um estilo de vida saudável e um controlo médico periódico. É essencial manter uma atividade física regular e adequada ao estado de saúde. Este é um dos primeiros passos para a manutenção da independência e bem-estar. Desta forma é possível atenuar algumas das alterações que ocorrem, como a perda de muscular e a diminuição de mobilidade das articulações e, consequentemente, será possível manter a independência e a autonomia.

É fundamental evitar o consumo excessivo de sal, de gorduras e açúcar. Deverá ser priorizada a ingestão de frutas e vegetais. Hábitos tabágicos e de ingestão de álcool deverão ser evitados.

Relativamente ao controlo médico deverá ser feita uma análise frequente dos valores da tensão arterial, dos níveis de glicose e colesterol no sangue.

Fatores cognitivos e mentais

idoso a jogar xadrez com voluntaria

Como já referido, as capacidades cognitivas e mentais ao longo do envelhecimento vão diminuindo progressivamente. Assim sendo é essencial estimular estas mesmas capacidades através de atividades como a leitura, treinos da memória, aprendizagem de novos conhecimentos, atividades manuais, convívio com outras pessoas de várias gerações, entre outras. A manutenção destas capacidades é fundamental para assegurar a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas ao longo do envelhecimento.

Fatores sociais e do meio envolvente

idosos a passear

A visão que o idoso tem sobre o envelhecimento resulta do culminar das perspetivas sociais e culturais da sociedade de que faz parte. Se estes se mantêm ativos e com sentimento de utilidade na comunidade, não se isolando no seu processo de envelhecimento, sentindo este processo como natural e fazendo parte da estrutura social na qual eles se inserem, este processo será bem sucedido. O apoio social tem aqui uma grande influência na adaptação do idoso às limitações físicas e cognitivas.

A participação em atividades de grupo, atividades de aprendizagem, de conhecimento de novos lugares e o trabalho voluntário são exemplos de estratégias essenciais para a promoção da sociabilidade. Desta forma desenvolve-se o sentido de pertença a uma comunidade, o sentimento de ajuda e de se sentir útil, com efeitos positivos na auto-estima e na saúde. Em suma, é uma excelente forma de promover o envelhecimento ativo.

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Ana Vicente Ana Vicente

Ana Vicente é fisioterapeuta, instrutora de pilates clínico e pós graduada em terapia assistida por animais no papel. Na realidade é apaixonada por pessoas, animais, palavras e pelas maravilhas da natureza. Motivada a deixar uma marca positiva no seu mundo e no dos outros, compromete-se a contribuir para o conhecimento e bem-estar das pessoas.