As 10 doenças do viajante explicadas uma a uma

Ao viajarmos para países desconhecidos podemos deparar-nos com doenças desconhecidas. Vamos explorar as 10 doenças do viajante mais frequentes.

As 10 doenças do viajante explicadas uma a uma
Explicamos algumas doenças importantes para quem vai viajar.

Durante as férias de verão um elevado número de pessoas viaja para diversos países. Alguns destinos requerem, da parte dos viajantes, cuidados de saúde redobrados, principalmente se esses países se encontram fora da Europa e/ou em países tropicais.

Existem 10 doenças do viajante mais comuns que, se não tratadas, podem ter consequências graves.

É essencial procurar o conhecimento sobre cada uma destas doenças e como podem ser prevenidas e tratadas.

Febre amarela


febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa que se transmite através de mosquitos portadores do vírus flavivírus. A doença não se transmite directamente de pessoa para pessoa. O seu nome advém da tonalidade amarela da pele que afecta alguns doentes.

Plano de Saúde Grátis
Cuide da sua saúde. Obtenha consultas de clínica geral, medicina dentária e especialidade médicas gratuitas.Peça aqui o seu plano grátis.

Este vírus é endémico nas zonas tropicais Africanas e na América Central e do Sul.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da doença são muito variadas, daí a dificuldade em reconhecê-la precocemente. Na fase inicial pode ser facilmente confundível com uma simples infecção. Uma vez no corpo do indivíduo, o vírus da febre amarela têm um tempo de incubação de 3 a 6 dias. Os sintomas iniciais da doença são:

  • Febre;
  • Dores musculares;
  • Dores de cabeça;
  • Perda de apetite;
  • Náuseas e vómitos.

Normalmente, este sintomas desaparecem ao fim de 3 a 4 dias. Contudo, um baixo número de doentes entra numa fase mais grave 24 horas após o desaparecimento dos sintomas iniciais. Sintomas secundários:

  • Febre alta;
  • Comprometimento dos rins e fígado;
  • Icterícia;
  • Urina escura;
  • Dores abdominais;
  • Sangramento da boca, nariz, olhos e estômago.

Cerca de 50% dos deontes que entram nesta fase morrem no espaço de 7 a 10 dias.

Prevenção e tratamento

A única forma de prevenir o contágio pelo vírus da febre amarela é através da vacinação. A vacina contra a febre amarela é segura e com apenas uma dose é conferida protecção para a vida toda.

Não existe um tratamento para a febre amarela. Quanto mais cedo for detectada a doença, mais fácil será o controlo dos sintomas.

Malária


malaria

A malária, também conhecida como paludismo, é uma das doenças do viajante mais importante para a humanidade, devido ao seu grande impacto e custos a nível mundial.

O protozoário Plasmodium é o responsável pela infecção que se propaga através de mosquitos infectados.

Sinais e sintomas

Em indivíduos que não são imunes à malária, os sintomas aparecem cerca de 10 a 15 dias após o contágio. Estes são facilmente confundidos com síndrome gripal:

  • Dores de cabeça;
  • Febre;
  • Dores musculares;
  • Náuseas.

Se não for tratada nas primeiras 24 horas após o inicio dos sintomas, a doença pode agravar-se rapidamente e provocar a morte. Os sintomas graves da malária são:

  • Anemia grave;
  • Insuficiência respiratória;
  • Paludismo cerebral;
  • Falência multiorgânica.

Em locais onde este problema é endémico, os indivíduos tendem a ganhar imunidade parcial, o que faz com que tenham infecções assintomáticas.

Prevenção e tratamento

Actualmente não existe vacina para a malária. A única forma de prevenção é a adopção de medidas para evitar a picada de mosquitos infectados.

O tratamento consiste na administração de um fármaco que faz com que o sangue do indivíduo seja tóxico para o parasita.

Raiva


raiva

A raiva é uma das doenças do viajante que não tem cura, e provoca sempre a morte do infectado. É provocada por um vírus que afecta os mamíferos. O vírus é transmitido pelo contacto da saliva do animal infectado através de mordeduras, lambidas em feridas abertas ou mucosas.

Os animais mais commumente infectados pela raiva são cães, raposas, chacais, morcegos, lobos e linces.

A infecção por este vírus é mais comum no Bangladesh, Bolívia, China, Equador, Etiópia, México, Índia, Filipinas e Tailândia.

Sinais e sintomas

O período de incubação do vírus da raiva pode variar de dias até anos. No homem é de aproximadamente 45 dias, e de 10 dias a 2 meses no cão./p>

Os sintomas que o indivíduo infectado apresenta são os próprios de uma infecção cerebral aguda. Uma vez que se iniciem os sintomas, o desfecho é fatal:

  • Paralisia;
  • Hidrofobia;
  • Delírio;
  • Convulsões.

Prevenção e tratamento

A raiva é prevenida tanto em humanos como em mamíferos através da vacinação. A vacina pode ser usada em indivíduos que não estejam infectados pelo vírus, ou em indivíduos infectados mas que ainda não apresentem sintomas da doença.

Esta é uma enfermidade que não tem tratamento. Os indivíduos que apresentam sintomas da infecção são isolados, e sem contacto corporal com outros indivíduos. São realizadas medidas de conforto até que ocorra a morte do infectado.

Febre tifóide


febre tifoide

A febre tifóide é provocada pela bactéria Salmonella Typhi. Esta bactéria é transmitida através do consumo de alimentos ou água contaminada. O ser humano é o único ser vivo susceptível a esta infecção.

A febre tifoide é comum em países em desenvolvimento com más condições higiénico-sanitárias. A maioria dos casos acontecem em indivíduos que viajam para esses países.

Sinais e sintomas

O quadro sintomático vai evoluindo lentamente e inicialmente é confundido com um quadro gripal:

  • Febre alta;
  • Dores de cabeça;
  • Fadiga;
  • Bradicardia;
  • Dores musculares;
  • Dores abdominais;
  • Manchas rosas na pele.

Cerca de 3 a 4 semanas após o início deste quadro, os sintomas vão se tornando mais graves. Os sintomas tardios da febre tifóide são:

  • Falta de apetite;
  • Hemorragia nasal;
  • Diarreia;
  • Vómitos;
  • Esplenomegalia;
  • Tosse;
  • Delírios;
  • Septicémia.

Se não for tratada, este problema pode provocar hemorragia, perfuração intestinal e inflamação da vesícula biliar.

Prevenção e tratamento

A febre tifóide é uma das doenças do viajante para a qual há vacina. Para além disto é necessário manter boas condições higiénico-sanitárias.

O tratamento é feito através da administração de antibióticos. No caso de indivíduos que tenham ficado curados sem toma de antibiótico, devem ser isolados já que podem ser portadores da bactéria durante meses até anos. Nestes indivíduos é administrado antibiótico para eliminar as bactérias sobreviventes no organismo.

Cólera


colera

A cólera é uma doença provoca por uma bactéria que se reproduz rapidamente no intestino do ser humano, causando quadros graves de diarreia.

O contágio é feito através do contacto com água contaminada com dejectos fecais de indivíduos contaminados.

A América do Norte juntamente com o Brasil são, actualmente, os locais mais afectados pela cólera.

Sinais e sintomas

O período de incubação é de cerca de 5 dias. A bactéria faz o intestino delgado secretar grandes quantidades de água e sais minerais. As perdas de água podem atingir os 20 litros por dia. Esta perda enorme de água e sais minerais leva a uma desidratação massiva e risco de morte.

Todos os sintomas da doença resultam em perda de água pelo organismo:

  • Diarreia volumosa e aquosa;
  • Cólicas abdominais;
  • Náuseas e vómitos;
  • Hipotensão;
  • Taquicardia;
  • Anúria;
  • Hipotermia.

O risco de morte pela cólera é de cerca de 50% se não for tratada. A hipotensão com risco de choque hipovolémico (diminuição do volume sanguíneo) é a principal causa de morte.

Prevenção e tratamento

A prevenção é feita através da vacinação, que pode ser injectável ou oral. Outras medidas de prevenção passam por consumir água filtrada ou engarrafada, lavar bem os alimentos, proteger os alimentos das moscas, etc.

O tratamento passa pela hidratação através de soro para repor os níveis de água e sais minerais perdidos e uso de antibióticos para eliminar a bactéria causadora da cólera.

Poliomielite


polimielite

A poliomielite, também conhecida como pólio ou paralisia infantil, é uma infecção viral altamente contagiosa. É uma das doenças do viajante que afecta principalmente crianças pequenas.

O ser humano é o único reservatório deste vírus.

Sinais e sintomas

O poliovírus tem um tempo de incubação de 3 a 35 dias. A poliomielite manifesta-se de uma forma leve e de uma forma grave. Os sintomas da forma leve da pólio são:

  • Dor de cabeça leve;
  • Dor de garganta;
  • Vómito;
  • Sensação de mal-estar.

A poliomielite grave manifesta-se apenas em menos de 1% dos infectados e é mais comum em crianças mais velhas e nos adultos:

  • Febre;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Rigidez do pescoço e das costas;
  • Dor muscular intensa;
  • Paralisia em certos músculos;
  • Incapacidade de respirar.

Cerca de 50% das vítimas de poliomielite apresentam sequelas da doença, a chamada síndrome pós-poliomielite. Esta síndrome é caracterizada pela atrofia muscular causada pela destruição de neurónios aquando a infecção.

Prevenção e tratamento

A única medida preventiva da poliomielite é a vacinação, apesar de os indivíduos vacinados não ficarem 100% imunes à doença.

Actualmente não existe nenhum tratamento para este problema.

Hepatite A


hepatite A

A hepatite A é provocada por um vírus que pertence à família Picornaviridae e o ser humano é o seu único reservatório. Este vírus é de transmissão fecal-oral e a sua propagação faz-se de pessoa para pessoa ou através da água e alimentos contaminados.

Os locais que constituem maior risco para os viajantes são: África, América do Sul, Sudeste Asiático e Índia.

Sinais e sintomas

O período de incubação do vírus da hepatite A é de cerca de 1 mês. Aproximadamente 50% dos indivíduos infectados são assintomáticos, principalmente crianças. As células do fígado são as mais afectadas por este vírus. Os sintomas surgem subitamente:

  • Febre;
  • Dor abdominal;
  • Náuseas;
  • Diarreia;
  • Icterícia.

Aproximadamente 1% dos infectados sofrem de sintomas mais graves e de evolução mais rápida. Nestes casos ocorre icterícia mais intensa e encefalopatia provocando distúrbios psiquiátricos e degradação de funções mentais e por fim a morte em 80% destes casos.

Prevenção e tratamento

A prevenção da hepatite A é feita através da vacinação. Medidas como cuidados de higiene pessoal e cuidados de saneamento básicas também devem ser tomados no sentido de prevenir a infecção.

A hepatite A faz parte das doenças do viajante para as quais não existe tratamento. Este problema trata-se essencialmente com repouso durante a fase aguda, até que as enzimas hepáticas retomem os seus valores normais.

Hepatite B


hepatite B

A hepatite B é uma infecção viral que ataca as células hepáticas e muito resistente à acção de agentes externos. A sua transmissão é feita através de relações sexuais desprotegidas ou objectos corto-perfurantes infectados.

Sinais e sintomas

Esta doença tem um período de incubação de 30 a 180 dias. Cerca de 90% dos indivíduos infectados não apresentam sintomas. Os episódios agudos da hepatite B caracterizam-se por:

  • Icterícia;
  • Falta de apetite;
  • Mal-estar;
  • Urina escura;
  • Náuseas;
  • Comichão.

A hepatite B pode provocar em alguns indivíduos doença crónica do fígado que pode evoluir para cirrose ou cancro do fígado.

Prevenção e tratamento

Existe uma vacina contra a hepatite B, sendo esta o único meio de prevenção da doença. É administrada em 3 doses e apresenta uma eficácia de cerca de 95%.

Não existe tratamento específico para este problema. O tratamento consiste no alivio dos sintomas e medidas de conforto.

Encefalite japonesa


encefalite japonesa

A Encefalite Japonesa é uma doença inflamatória do sistema nervoso central provocada por um vírus. A transmissão da doença é feita através da picada de mosquitos infectados.

É frequentemente encontrada no leste da Rússia, Japão, China, Índia, Paquistão e o sudeste asiático.

Sinais e sintomas

Estima-se que as infecções são assintomáticas em cerca de 90% dos casos. Este vírus tem um período de incubação de 4 a 14 dias. Inicialmente os sintomas são semelhantes a uma gripe:

  • Febre;
  • Dores de cabeça;
  • Confusão;
  • Vómitos;
  • Diarreia.

Apenas uma percentagem inferior a 1% progride para encefalite. Esta inflamação cerebral provoca graves danos neurológicos e mais tarde a morte.

Prevenção e tratamento

Actualmente há uma vacina contra a encefalite japonesa, no entanto a sua administração deve ser ponderada, uma vez que pode provocar graves efeitos secundários.

O tratamento deste problema passa pelo controlo dos sintomas, uma vez que não existe tratamento eficaz contra este vírus. Já que o vírus se propaga através dos mosquitos, o ideal é evitá-los para prevenir o contágio.

Meningite meningocócica


meningite meningococica

A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria Meningitidis. Quando esta bactéria entra no sangue ou líquido cefaloraquidiano do indivíduo provoca uma infecção sistémica.

A propagação é feita através de gotículas do portador que se disseminam pela tosse, espirros, beijos e proximidade física.

Esta doença atinge sobretudo bebés até 1 ano seguido de crianças até aos 4 anos.

Sinais e sintomas

A meningite meningocócica é altamente contagiosa e tem um período de incubação de 2 a 10 dias. Os sintomas característicos são:

  • Dores de cabeça;
  • Febre alta;
  • Náuseas;
  • Vómitos;
  • Confusão mental;
  • Rigidez da nuca;

Em casos graves pode evoluir para o coma e para uma infecção generalizada. Esta doença é fatal em cerca de 10% dos casos e 20% dos indivíduos que sobrevivem ficam com graves sequelas neurológicas.

Prevenção e tratamento

A prevenção da meningite meningocócica é feita através da vacinação. Cada vez mais aconselhada pelos pediatras, esta vacina não faz parte do Plano Nacional de Vacinação.

O tratamento é feito através de antibioterapia. Aos indivíduos que estiveram em contacto directo com o infectado e não apresentem sintomas é administrado antibiótico para parar a progressão da doença.

Cuide da sua saúde. Consiga aqui consultas de clínica geral, medicina dentária e especialidade médica gratuitas!

Veja também:

Isabel Silva Isabel Silva

Isabel Silva é enfermeira por paixão, licenciada pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. Sempre quis seguir a área da saúde e acredita que a informação é uma ferramenta essencial para a saúde da população, e que cabe aos profissionais de saúde transmiti-la de forma relevante e fidedigna para que cada indivíduo seja capaz de tomar decisões importantes relativamente à sua saúde e ao seu bem-estar.