Viver com a doença de Crohn

Viver com a doença de Crohn

Quando controlada, a doença não impede as pessoas de terem uma vida normal.

A doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica do intestino. Embora não tenha cura, é possível controlar os seus sintomas e ter uma vida normal.

A doença de Crohn é uma inflamação crónica da parede intestinal.

Juntamente com a colite ulcerosa, forma o grupo das chamadas doenças inflamatórias do intestino, que afetam cerca de 10 mil portugueses, segundo dados da Associação Portuguesa de Doença Inflamatória do Intestino.
 
Embora a inflamação possa afetar qualquer parte do tubo digestivo – desde a boca até ao ânus –, as zonas mais frequentemente atingidas são as porções finais do intestino delgado (o íleo) e o intestino grosso. Ao contrário da colite ulcerosa, a doença de Crohn envolve toda a parede intestinal e não apenas a camada de revestimento interno.


Quem pode ser afetado?


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A doença de Crohn afeta igualmente ambos os sexos, sendo superior nos fumadores e parecendo ser mais comum em algumas famílias. Embora possa afetar pessoas de qualquer idade, este problema é mais frequentemente diagnosticado entre os 16 e os 35 anos.

Trata-se de uma patologia que pode ser incapacitante, já que a doença é crónica e evolui por surtos, ou seja, é cíclica. Isto significa que vão existir períodos em que a doença se manifesta e outros em que não existem quaisquer sintomas. Infelizmente, não é possível prever nem a ocorrência nem a duração destas fases.



Causas desconhecidas e multifatoriais


Ninguém sabe ao certo o que desencadeia a inflamação intestinal inicial da doença de Crohn. Pensa-se que a existência de antigénios, bactérias ou vírus provoca uma resposta imunológica do organismo, causando o aparecimento e a manutenção da lesão intestinal, mesmo quando o agente causador da inflamação já não está presente.

Para além disso, existem fatores genéticos que determinam a suscetibilidade à doença, a qual é agravada pela tensão emocional, stress, o tipo de alimentação, tabaco e estilo de vida. 



Queixas mais comuns


Dor abdominal
Uma vez iniciada, a doença de Crohn pode causar sintomas para toda a vida, evoluindo por períodos de agudização e remissão. Algumas pessoas com esta patologia apresentam apenas cólicas ocasionais ou diarreia, no entanto, a maior parte dos doentes tem sintomas mais incómodos.

As queixas, bem como a sua gravidade, podem variar consoante a zona afetada, mas, no geral, as mais comuns são:
 
  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Perda de apetite;
  • Febre;
  • Perda de peso.

Também podem surgir manifestações não relacionadas com o aparelho digestivo, como dores nas articulações e lesões da pele, bem como outras complicações decorrentes da inflamação. 



Sem cura, mas com tratamento


Não existe uma cura definitiva para a doença de Chron. Os tratamentos disponíveis destinam-se a reduzir a inflamação e aliviar os sintomas, contudo, possibilitam a remissão da doença por períodos de tempo indeterminado, oferecendo mais qualidade de vida às pessoas que são afetadas por este problema.

O tratamento adequado depende dos sintomas, da localização, gravidade e extensão da doença, entre outros fatores. Regra geral, a doença de Chron é tratada com medicação e alterações na dieta alimentar. 

Quando estas medidas não são suficientes ou nos estados mais avançados ou graves da doença, a cirurgia pode ser uma opção. No entanto, embora permita uma melhoria significativa da qualidade de vida dos doentes, a cirurgia não cura a doença.



Preste atenção ao que come


A alimentação pode desempenhar um papel central no controlo ou melhoria dos sintomas, além de que a má absorção de nutrientes e sais minerais é uma complicação que se encontra associada à doença, pelo que os doentes devem ter especial atenção à sua dieta.

A alimentação deve ser variada e equilibrada, de forma a armazenar vitaminas e nutrientes entre os episódios ou exacerbações do problema. Nas fases ativas da doença, é aconselhada uma dieta de baixo teor de fibra.

É também fundamental fazer uma hidratação adequada e ter o conhecimento dos alimentos que, em cada fase da doença, podem ou não ser prejudiciais para cada pessoa.


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