Depressão pós-parto: o que fazer?

Depressão pós-parto: o que fazer?

Os sintomas, a prevenção e o tratamento.

Sabia que a depressão pós-parto afeta cerca de 10% a 20% das mulheres que dão à luz? Saiba o que deve fazer.

Meses de planeamento até que nasce o maior amor, o seu filho. Há muita ansiedade, muita curiosidade, o tempo nunca mais passa, espera-se muita alegria, euforia, há muitas emoções, alguns medos e até algumas lágrimas. Mas depois vem a normalidade, um bebé para cuidar, as rotinas para encaixar, o corpo que não é o mesmo, as hormonas a voltar ao sítio e, afinal, não está assim tão feliz. Será apenas baby blues ou é uma depressão pós-parto?

Qual é a diferença entre baby blues e depressão pós-parto?

De acordo com a Dra. Marcela Forjaz, em “O grande livro da grávida”, enquanto o baby blues tem uma base orgânica, a depressão pós-parto resulta de um conjunto de fatores físicos, mentais, emocionais e é, também, influenciada pelo seu estilo de vida. O período pós-parto é uma fase de  grandes mudanças físicas que podem influenciar o humor durante dias ou semanas.

Passar por um leve período de depressão, logo após o parto, é muito comum e natural. É o chamado baby blues, que afeta cerca de 70% das mulheres, e se manifesta com alguma irritabilidade, crises de choro, dificuldade em dormir, tristeza ou falta de apetite. Este estado surge entre o terceiro e o décimo dia e não chega a ultrapassar as duas ou três semanas. Deve-se, essencialmente, à queda abrupta do estrogéneo e da progesterona.
 
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No entanto, se esta fase se prolongar e se, em vez de uma melhoria, notar um agravamento dos sintomas é urgente tomar medidas. A depressão pós-parto, ao contrário do que julgamos, pode acontecer em qualquer momento, não necessariamente logo após o parto.

Conforme referimos acima, o baby blues tão de depressa chega como logo desaparece, assim, passado esse espaço de tempo, se os sintomas se mantém, consulte o seu médico.

14 SINTOMAS DA DEPRESSÃO PÓS-PARTO

A depressão pós-parto não está relacionada com a idade da mãe nem com o facto de este ser o primeiro filho. Acontece mais frequentemente quando existem fatores de risco como doença psiquiátrica, antecedentes de depressão ou uma sucessão de acontecimentos como perda do emprego, morte de um familiar, problemas com o parto ou com o bebé. É importante estar atenta aos sintomas, a saber:
  • Ansiedade
  • Tristeza
  • Irascibilidade
  • Sentimentos de culpa
  • Sentimentos de dúvida quanto à maternidade e à vida
  • Falta de energia e motivação
  • Incapacidade de cuidar do bebé
  • Incapacidade de cuidar de si própria
  • Receio de maltratar o bebé
  • Preocupação excessiva com o bebé ou total falta de interesse
  • Falta de apetite
  • Perda de prazer
  • Dorme mais ou menos do que o habitual
  • Pensamentos suicidas

Como prevenir a depressão pós-parto?


1. Peça ajuda a familiares/amigos

É importante que descanse, por isso, tente rodear-se de pessoas que a possam auxiliar nesta fase de todas as alegrias mas, também, de todas as mudanças. Divida as tarefas com o seu companheiro e tenha por perto família ou amigos que a possam render nos cuidados do bebé. 

Não é menos mãe por isto. É preciso que, tanto a mãe quanto os que a rodeiam, tenham consciência que gravidez provoca grandes alterações no seu corpo tanto a nível físico, quanto emocional e psicológico. Por isso, peça ajuda.

Aproveite os momentos em que o bebé dorme, para descansar também. Preocupe-se com o que é fundamental e deixe o acessório para depois. O que importa é o seu bem-estar, não o pó que se acumula ou os pratos para lavar.

2. Tenha tempo para si.

Repetimos: tenha tempo para si. Se o seu bebé chorar durante alguns minutos, nada de mal lhe acontecerá. Tire 15 minutos para o seu banho diário e para se arranjar, se não consegue deixar o bebé sozinho, leve-o consigo no carrinho ou na espreguiçadeira. 

3. Saia de casa.

Se conseguir que alguém tome conta da criança, vá sozinha para libertar a cabeça de biberões, fraldas e choros. Se não, leve-o consigo para um passeio no parque, no centro comercial, numa visita à família, um lanche com amigas ou leve-o a conhecer o seu trabalho.

4. Fale.

Se tem medos, frustrações ou raivas partilhe-as com o seu companheiro. Só assim ele conseguirá perceber o que está a sentir e ajudar. Ao conversar com quem ama, não só está a libertar de si esse peso, como a outra pessoa a pode ajudar a relativizar e a colocar as coisas em perspetiva.

Como tratar a depressão pós-parto?

A depressão pós-parto será tão depressa resolvida quanto mais rapidamente tomar consciência do seu estado e for feito o diagnóstico. O acompanhamento médico é absolutamente imprescindível e pode ser necessário recorrer a medicação a prescrever pelo profissional de saúde que a acompanha.

Alguns alimentos podem ajudar a acelerar o processo de recuperação, nomeadamente, alimentos ricos em potássio (banana, tomate, batata-doce, feijão, beterraba, abacate, peixe), em vitaminas e ácido eólico (cereais integrais, abóbora, repolho e couve), em ómega 3 (atum, sardinha e salmão).

Por fim, não desespere. Se chegou até aqui é porque tem consciência que precisa de ajuda e o próximo passo é procurá-la. Ainda que já esteja num estado avançado, o tratamento vai ajudar a que tudo volte ao normal.
 

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